Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Bendito Fracasso
Fazemos parte de uma sociedade na qual o fracasso é algo muito negativo, possivelmente negativo demais e, pessoalmente acredito que devemos relativizar o fracasso empreendedor.
Por minha experiência o fracasso (num projeto, numa empresa, num cargo…) não tem porque ser necessariamente negativo, mais que isso, em certas ocasiões tão necessário como positivo.
Os empreendedores mais jovens na Espanha diante ao fracasso acabam tomando dois caminhos diferentes, uns seguem tentando, outros procuram trabalho e esquecem-se da idéia romântica de empreender.
Penso que nenhuma dessas 2 opções é má, a chave é saber qual delas está de acordo com seu tempo vital, sua posição, seu perfil. Não ser um bom empreendedor não é ruim, há pessoas que operativamente têm perfil para trabalhar em uma grande corporação, para dirigir equipes e levar a cabo cargos de responsabilidades e isso é muito positivo. Há pessoas que não têm vocação para ser assalariado e querem empreender a todo custo. Ambos os casos são bons, a chave é que conheça a si mesmo, que veja suas possibilidades e escolha seu caminho e uma vez escolhido, tente ser bom e se possível o melhor na sua área.
Num ambiente de empreendedores, muitas vezes se impulsa ao fracasso pessoas que tendo brilhantes carreiras e trabalhos, não tinham esse perfil, essa vocação de empreender e em vista de seu êxito para terceiros foram em ocasiões forçados a empreender abandonando uma carreira de êxito e dirigindo-se a um fracasso. O caso mais recente o vi em um diretor de um jornal, que, sendo jornalista de prestigio terminou controlando e gerenciando uma enorme corporação a qual pertencia mas não compreendia. Simplesmente queria voltar a escrever e deixar essas responsabilidades, mas sentia-se moralmente atado pelo agradecimento dos que o nomearam e pelo fracasso de regressar ao seu lugar natural.

O fracasso na Espanha não se vende, os fracassados são sociamente excluídos e isso choca com outras concepções do fracasso em outras culturas. Nos EUA, por exemplo, quando um jovem empreendedor necessita capital, o ato de apresentar um par de fracassos prévios é um sinal positivo. Logicamente ninguém quer viver no fracasso, mas o fracasso como experiência e ponto de inflexão é positivo. Um bom amigo e ótima pessoa, Bussines Angel Miami, dos que invertem em USA e América Latina até 7 cifras, me comentou faz alguns dias por telefone como o fracasso se já se converteu em um requisito a mais em momentos de dificuldade econômica como os atuais. “Deixarei meu dinheiros em suas mãos?” Administrou quantidades assim alguma vez? Alguma vez nadou contra a corrente?” Estou rotundamente de acordo com esse pensamento. Sempre ficarei mais tranqüilo se o empreendedor fracassou previamente em alguma iniciativa, mas que viveu a experiência e aprendeu com ela, e de certa forma esse fracasso será o pilar sobre o qual construirá um êxito. Não cabe nenhuma dúvida de que se passou e viveu dificuldades, se estas aparecerem novamente, não te encontraram desprevenidos, saberá exatamente aonde errou e estará mais preparado para afrontá-las do que pessoas que não viveram um fracasso.
Há algo disso nos EUA implícito, no tópico do Self Made Man, o homem feito a si mesmo. Na cultura anglo-saxônica, o fracasso não é premiado, entretanto é tolerado como parte do sistema e o que fracassa não é condenado à perpetuidade.
Outras culturas, como a japonesa, por exemplo, não somente não entende o êxito sem o fracasso, como que de certo modo não o vê com bons olhos, considera até certo modo “um golpe de fortuna” chegar diretamente ao sucesso sem um fracasso anterior. É moralmente um ponto de inflexão necessário.
A margem das diferenças culturais, eu sempre te animarei a empreender e tentar uma segunda e terceira vez a perseguir seu sonho, criar uma empresa e alcançar seus objetivos, e agora mais que nunca já que vivemos um momento especial, onde as novas tecnologias como veiculo facilitam essa figura de empreendedor, algo que é muito mais complicado em outros setores, como por exemplo, a indústria, a empresa tradicional, etc. Porém também acredito que se deve saber quando parar. Se você leva anos empreendendo e acumulando fracassos, também deverá pensar que “talvez não seja para você” e isso não é negativo, é chave conhecer-se bem, encontrar o espaço que existe na sociedade para você e dentro dele desenvolver-se na medida das suas possibilidades, sempre com ambição e esforço.
O problema do fracasso é quando não se aceita, não o reconhece internamente e não ultrapassa a linha – as vezes dura – necessária para poder aprender dele. Empreender e fracassar são experiências, o fracasso real é não se atrever a tentar chegar aonde uma vez sonhou que chegaria.
Mario Dehter, única pessoa que viu esse post antes de sua publicação (e acredito que foi a primeira vez que mostrei algum antes de colocá-lo online) e que há pouco tempo escreveu um post sobre o fracasso, me recalca acertadamente dizendo que “o fracasso é parte do maravilhoso ato de viver com êxito”.
Geralmente ao falar de nós mesmos tendemos a minimizar e em certo modo justificar nossos fracassos em um trabalho, num empreendimento, no nosso currículo. Muita gente os relativiza em um resumo rápido ou os menciona ao resumir sua trajetória com uma frase transcendente ou os típicos “não era o momento”, “as circunstâncias não eram propícias”, “tivemos azar”… a realidade é que eu, se olho para trás, vejo que aprendi muito mais dos meus fracassos do que dos meus – poucos – êxitos e acredito que foi momentos ruins que defini meu perfil como empreendedor e como empresário, e em definitiva e o mais importante, como pessoa.
Tags: empreender, Empresas, fracasso, líderes, medo ao fracasso
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