Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Vendem-nos fumaça e nós a fumamos (ou como a Espanha é facilmente colonizável)
Faz alguns meses que saiu com grande dispersão nos meios a respeito de Cuil, o buscador que pretendia ser uma alternativa a Google e que foi bastante celebrado em círculos da web 2.0, especialmente USA.
Lembro-me que quando o vi, que me dava preguiça de comentar sobre ele, e escrevi um post algo bagunçado “Umas risadas com Cuil” (é que já nessa época se via que não iria pegar). A verdade é que atualmente tentar competir com Google é algo ridículo, primeiro porque sua tecnologia sempre será pior, porque não terá nem metade dos seus recursos e muito menos a experiência em tratamento de dados que adquiriu Google.
Cuil (que curiosamente sai em segundo em Google buscando “cuil”), reivindicava como o buscador pelo qual se foram alguns engenheiros de Google, com essa desculpa e com um fundo negro, defendiam a possibilidade de alternativa e possibilidade de um espaço no mercado. Tenho certeza que depois do enorme buxixo criado muita gente o usou por um tempo. Mas evidentemente o tempo dá e tira razões:

Escrevo sobre tudo isso antes que FailBeta dentro de uns meses fale de Cuil (tudo chegará), não por esse projeto em si, mas sim pelo curioso que é ver um efeito “boca a boca” mundial. No gráfico de trafico dessa web, vemos que se publica a noticia em TechCrunch de uma forma curiosamente entusiasmada, e nos seguintes 3-4 dias é replicada e comentada em blogs de todo o mundo.
TechCrunch não chega apenas ao usuário final em Espanha, talvez somente a heavy users e influenciadores (que as vezes fazem seu o que lêem fora sem ao menos parar para analisar e processar a informação para ter suas próprias conclusões), o que o faz ter um certo poder de persuasão com centenas de bloggers no idioma espanhol, que ao mesmo tempo são prescritores com usuários locais. É uma enorme permeabilidade que dá um tremendo poder de penetração a nível mundial quando ali dedicam-se a nos explicar que algo será interessante. A médio prazo, se o produto era um engano, a bolha estoura.
Esse rumor global (lamentavelmente impossível de reproduzir na Espanha ou América Latina, uma pena porque seria o grande respaldo a bons projetos locais que não explodiriam como esse), me faz pensar que a Espanha é um pais facilmente colonizável. O que chega dos EUA com um bom marketing por detrás, engolimos, quando geralmente nem a nível usuário, nem a nível prescriptor, nem a nível inversores damos importância devida a players locais nesse mesmo setor. Assim vamos, a Espanha é o pais com maior penetração de Google no mundo, um 96%, o país no qual a Coca Cola tem maior quota de mercado de refrescos do mundo…Aqui quando alguém vem de fora “deslumbra”, ninguém respalda ao player local desse mercado, não recebem nenhum apoio e geralmente desaparece por si só, e é verdade que é difícil competir e não menos que em ocasiões onde nós, os empreendedores latinos somos pouco constantes e nos rendemos com certa facilidade diante de projetos exteriores de maior envergadura.
Acredito que não entendemos a parte do jogo; se queremos que o setor da Tecnologia de Informação e Comunicação, as TICs, funcione necessitamos que tenham sua quota de mercado, maior o menor, os produtos nacionais nos que há inversões que são apostas e que a todos interessam que saiam bem. Muitas vezes detecto certo rancor ao êxito de projetos Made in Spain, e uma preferência, muitas vezes sem muita reflexão, perante o último projeto-engano que tentam meter-nos, geralmente desde USA, pelo nosso…, deixemos para lá.
Não falo de certo nacionalismo.com ou de defender as coisas locais de maneira desmedida, mas sim de certo protecionismo egoísta, Internet é um mercado global, na qual todos os que estamos trabalhamos nas TICs, nos interessam que os projetos não cheguem a ser globais ao 100%, porque desde Espanha é muito difícil criar marcas e projetos a nível mundial com nosso tecido tecnológico e as inversões que aqui se manejam. Necessitamos certo espaço para o mercado local.
Um projeto brilhante na Espanha receberá uma inversão de 100.000 ou 200.000 euros de um Bussiness Angel, na Europa ou USA, ainda que não seja tão brilhante poderia receber 3 ou 4 milhões de supetão e sem muitos problemas para expandir-se de forma internacional. Assim, é complicado competir quando essas pessoas desembarcam na Espanha… Complicado, mas com apoio e cabeça ainda se pode! Mais difícil será se estivermos abertos a abraçar o que nos chega como modelo valorizado de fora e dar somente a importância básica e em ocasiões desvalorizar o projeto local.
É por isso que me dá tanta raiva quando as 4-5 empresas espanholas que sim, poderiam lançar marcas globais e ser referencia do setor, seguem sem entender como funciona isso.
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