Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Fechando a torneira
Podemos chamá-lo de várias maneiras…de todas elas, fechar a torneira é a que menos me desgosta, apesar de que haja muitas maneiras de definí-lo.
The Economist, com esse especial carinho que em ocasiões tem ao espanhol – incluso com a tormenta que nos espera – titulava faz alguns meses sobre Espanha, com uma dose de divertido sarcasmo, “Fiesta is over, its time to siesta”.
Ultimamente os finais de mês estão tornando-se mais duros que o habitual e temos que começar tomar medidas e fazer certos equilíbrios. Os meus a nível pessoal e de minhas empresas me levarão a fechar, como posição defensiva, certas torneiras.
Levo um fim de semana intenso dando voltas a muitas coisas, repensando certos gastos operativos que levaram a tomar certas medidas a nível de custos; pessoal, publicidade externa, serviços externalizados, hosting, etc., que são inevitáveis para a melhor evolução da empresa.
Falemos de uma meia volta a porca defensiva que este mês trará algumas decisões de recorte de gasto, e algumas delas traumáticas diante da situação econômica que parece não ter fim.
Quase todas as empresas tem nível de recursos, alguns luxos ou gastos não imprescindíveis. Este mês, após muitos anos decidi recortar muitos deles, emagrecer a estrutura e otimizar os custos. Isso, traduzido em feitos, fará que recortemos custos de hostings, de publicidade, serviços, empresas com as quais internalizávamos certos serviços, mas principalmente todo em levar a limitar minhas aventuras fora das minhas próprias companhias.

Com objetivo de não correr nenhum risco extra para minhas empresas e para meu pessoal, decidi não inverter em terceiras empresas durante 2009 fora de minhas companhias. As inversões financeiras puras e duras ficam paralisadas durante 2009. Se for possível participar em alguns projetos onde eu possa aportar de forma pessoal e/ou industrial. Realmente nestes momentos, serão meu principal ativo.
Tenho um montão de Bussiness Plan sobre os quais decidir encima da mesa. Com toda franqueza de todos os projetos que valorizo nesses momentos só gostei de 2 ou 3. Isso não quer dizer que o resto no me pareçam interessantes, mas sim que por um ou outro motivo, não são para mim.
Levava semanas pensando em quais destes 2 ou 3 projetos me envolveria. Tenho o maior defeito que pode ter um investidor não profissional e é que costumo investir no que gosto ao invés de investir no que deveria.
Meu dilema entre esses projetos terminou: não realizarei nenhuma inversão puramente econômica em 2009 e, essa semana comunicarei aos interessados, já que a liquidez reservo exclusivamente para as necessidades de fundos de minhas companhias; ou seja decidi fechar a torneira.
Espero que minhas companhias próprias e participadas as previsões e necessidades de tesouraria sejam adequadas e que saímos adiante neste 2009, dia a dia vejo mais complicado porque tenho a percepção de que o setor das TICs ainda piorará, mas não me cabe nenhuma dúvida de que vamos seguir em frente e assim quero transmitir subliminarmente a todos meus empregados, a partir dessas linhas. Não sei se estaremos aqui juntos dentro de um ano, o que sim sei é que os que não se esforcem ao máximo não poderão estar conosco. Todos (me comprometo a ser o primeiro) teremos que fazer um sobre esforço, e sairemos adiante como seja. Pra isso vamos ter que sofrer e agüentar, olhar para frente, buscar motivação pessoal e profissional no poder seguir estando, e não no crescer. Como seja, todos juntos, redobrar esforços e engenho, e passaremos juntos o pior; os próximos 10 meses.
É um novo cenário. Antes o sobre esforço levava ao êxito, agora, nos levará somente a sobrevivência, há que tentar que isso seja uma motivação suficiente, adaptar-se, dar o 120% e aguçar o engenho, aportar, ser generoso e tirar o máximo proveito de tudo isso.
Tags: crise, final da crise, Inversões, medidas economicas, recortes, the economist
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