Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Comprar talento
A notícia dos últimos dias foi o anuncio da compra de 85% do Tuenti (rede social líder na Espanha, similar ao Orkut aqui no Brasil) por parte da Telefônica, os 70 milhões de euros desembolsados e as condições firmadas na venda, assim como a saída da companhia do atual presidente de Tuenti, Bernardo Hernandez. É um movimento interessante que reforçará a posição de Telefônica no mercado de internet móvel entre os jovens, com crescimentos anuais de 35%.
Resulta interessante analisar o papel na Espanha do resto das operadoras como Orange e Vodafone, que tentam ainda rentabilizar nas suas contas de resultados suas licenças de operador, sem planos claros e investimentos que os posicionem e permitam fazer jus a Telefônica nesse pais. Enquanto Telefônica perdia anos de tempo (e uma ingente quantidade de dinheiro) em lançar um produto sem sentido, que nascia tarde, mal concebido e morto, como sua rede social Keteke para tentar se posicionar no mercado das redes sociais, estas operadoras puderam – por uma pequena quantidade de dinheiro – investir e comprar uma participação no Tuenti quando a companhia realizou um road show em busca de investidores. Tiveram vários anos para frear que telefônica acabasse desembarcando no Tuenti e portanto tendo a maior base de dados dos jovens espanhóis.

Pessoalmente acredito que Tuenti é uma startup de muito mérito, seus promotores demonstraram um enorme talento e visão, mas tecnicamente esta a anos luz do Facebook e seu mercado a médio prazo não passa por poder competir com o gigante americano, senão por buscar sua própria personalidade e se expandir-se em todo o mundo. Essa operação e muito barata para uma companhia como Telefônica. Chegar a 8 milhões de pessoas de forma permanente e frear o crescimento dos concorrentes (Tuenti tinha já acordos com Vodafone para o envio de SMS que provavelmente agora vão se diluir), por somente 70 milhões de euros é barato demais.
Para mim, é especialmente significativo que no acordo se tenha respeitado 15% das ações nas mãos dos fundadores do Tuenti, uma mudança de enfoque na política de uma companhia acostumada a desembarcar como um elefante em uma loja de cristais nas suas investiduras.
É a equipe de Tuenti a que demonstrou talento e o know how necessário devem ser eles os que dirijam o rumo da companhia. Aprenderam algo nesses anos. Telefônica não só compra uma empresa, não só compra uma rede social, o que realmente compraram e integraram é talento.
Tags: Investimentos, orange, Telefônica, tuenti, vodafone
Merda! Era em L
Era o ano de 2007 e muitos já pensávamos que as coisas iam ser difíceis. Os mais “progressistas da classe” acreditavam que éramos uns agoureiros e que não chegaria o sangue ao rio. Lamentavelmente se equivocaram e o resto já é outra historia.
Passaram meses e chegamos ao 2008. As conversações de bar, nos blogs, na rua em definita já não duvidava sobre se haveria ou não crise, mas sim valorizavam como ela seria. Com um desenho em “V” diziam os otimistas, em “U” ou em “L”, o desenho mais temido, que acaba em uma larga recessão antes da saída. Não sou adivinho e nunca imaginei como poderia ser. Nesses anos tive sentimentos encontrados. Tive momentos em que pensei que tínhamos chegado ao fundo do poço e que tudo já melhorava, ainda que fosse pouco a pouco e semanas ou meses depois parecia que o poço não tinha fundo e seguíamos indo para baixo.
Nos últimos meses parecia que tudo ia melhor, e me recordei de um velho post que publiquei já faz um tempo “Fechando a torneira”. Pensei que tinha que passar pagina voltar a investir em projetos de terceiros e a correr alguns riscos. Isso me levou a investir em 3 projetos de internet, uma biotecnologia, além de um meio de comunicação tradicional (com futuro e sinergias na internet) nos últimos 3-4 meses. Ou seja, fechou 5 investimentos desde maio. Mais do que fechei nos últimos dois anos em poucos meses.
Só comentei e anunciei um desses investimentos (2B Blackbio) já que os fundadores o comunicaram em nota à imprensa. O resto, alguns contratos já assinados e outros ainda não, se acabarão de fechar estas semanas, mas já foram conversadas.
Durante esses dois anos vi muitos projetos que gostei e alguns me alimentaram alguma ilusão e em ocasiões tive a oportunidade de participar deles, mas me senti algo pressionado e não o fiz. Enquanto eu acreditava que tudo pouco a pouco melhorava, que a crise fazia um gráfico de U e sairíamos rápido. Da mesma forma que tomei precauções rapidamente quando temi vir, achei lógico que com os primeiros raios de sol me apressasse a apostar por projetos que além de fazerem muito sentidos, me agradam.
Achei que era hora de abrir a torneira. E digo por que nas ultimas semanas os números macro, os dados que vamos conhecendo, a situação das empresas, o feeling das pessoas próximas, a evolução das minhas próprias companhias e participantes, assim como a percepção pessoal é que foi uma breve miragem, uma pequena luz no fim do túnel, mas na verdade seguimos no buraco. Não acredito que as coisas piorem, mas quando parecia que a tendência se desenhava para cima, parece que voltamos a perder o impulso que ganhávamos.
Agora mesmo, de novo, me esfriei, é possível que seja somente temporal para pegar impulso, de novo sinto que devo diminuir o ritmo de investimentos e não expor o risco econômico nos próximos meses. Vivemos a base de sensações, sensações que estão a flor da pele já que tudo parece uma montanha russa. Minha sensação é de como se tivesse terminado uma festa de fim de semana e nos tivesses ficado com uma enorme ressaca, com a cabeça dando voltas, assumindo que voltamos à triste realidade pensando “merda, era em L”.
Tags: crise, crise em l, crise em u, crise em v, saida da crise
A web social, uma ferramenta a vigiar
O fenômeno do Social Media chegou como um vendaval e o fez para ficar e o mundo empresarial não é uma exceção. As empresas tendem a prestar uma maior atenção ao uso de blogs e redes sociais, um fenômeno que anteriormente depreciavam. A web social deu o poder ao usuário e muitas vezes isso pode gerar algum quebra cabeças em nossa própria companhia; empregados infiéis, filtração e intoxicação de informação, confusões que entorno a nossos produtos e/o serviços recorrem à rede e podem, se não são rápidos de resolver, resultar um enorme problema ao que teremos que enfrentar. Internet se converteu em poucos anos no meio dos meios.
A anarquia e a liberdade do sistema, o halo do anonimato que se desfruta e a rapidez com a qual fluí a informação, que circula de usuário pra usuário em segundos, faz que haja que estar especialmente atentos ao que sucede entorno a nossa marca. Comercialmente os danos podem ser graves se não se cuida do problema, se não o minimizamos a tempo.
A esse respeito podemos destacar o caso de uma empresa espanhola; Ikea. Por vários anos, um post em um blog de referencia em Espanha dentro do âmbito da web 2.0, Microsiervos, era o primeiro resultado no Google ao buscar Ikea, encima da web da empresa. Esse post fazia uma cruel critica à companhia com base a experiência de um único usuário baixo o titulo “Ikea, como mente aos clientes”
Ainda hoje se buscamos no Google sairá entre os primeiros resultados do buscador. Nos últimos anos esta situação foi um puzzle para uma empresa sueca os comentários negativos de outros usuários participando desse artigo foram sucedendo sem parar, se alimentando uns dos outros. Faz pouco tempo que a companhia conseguiu posicionar sua web encima do conteúdo prejudicial. Uma solução parcial, uma batalha ganha. Mas um único usuário, hábil no uso de ferramentas 2.0, colocou em xeque-mate a estratégia de comunicação do Ikea, durante mais de um ano.
Essa erosão ainda hoje continua. No mundo existem milhões de internautas; uma percepção negativa na rede nos afeta e é um golpe direto a nossa linha de flotação. A informação positiva é uma pequena gota, mas a negativa, incluso se errônea, é viral por natureza.
Por isso, nos últimos meses começam a nascer empresas dedicadas a escutar e administrar o buzz, os rumores, os ecos de Internet em fóruns, redes sociais, blogs e Twitter. Se busca captar tendências negativas e positivas (que melhor focus group que esse?) de encontrar problemas e fugas de informação e inclusive empregados desleais. Temos que cuidar da nossa imagem e para isso é imprescindível começar escutando e monitorando o que acontece, resolver muito rápido e escalar internamente os problemas, por pequenos que pareçam e nunca subestimar o meio.
Tags: buzz, focus group, Redes Sociais, social media, web social
A operadora finalmente na rede
Depois do fracasso da rede social Keteke em 2008, telefônica decidiu comprar 85% do Tuenti (rede social numero 1 na Espanha) por um importe que ronda os 70 milhões de euros. A operação levanta muitos interrogantes, mas não precisamente o motivo do fracasso de Keteke, que não é novidade. O que resulta dificilmente compreensível é como uma companhia como Telefônica não estava no projeto de Tuenti desde sua origem, apoiando, participando e colaborando com essa startup espanhola.
É mais que certeza que eles a receberiam com braços abertos, mas isso tinha que ter ocorrido a quatro anos atrás, o tempo em que Telefonica demorou pra entender que hoje em dia na Internet é mais que vender linhas ADSL e que para muitos analistas independentes representa precisamente o futuro das companhias de telecomunicações. É fácil se imaginar nesses momentos os diretivos de Orange e Vodafone (empresas de telefonia espanhola) aos que o movimento de Telefônica não agradou muito. Atualmente, eles não se encontram posicionados num setor no qual, se queriam crescer a médio prazo na Espanha, era chave investir para evitar que Telefônica se adiantasse.
O mercado
Outra questão interessante reside em saber como vai enfocar a Telefônica sua estratégia de internacionalização em redes socais. Brasil – seu principal mercado – está dominado por Orkut, a rede social de Google, com aproximadamente 73% da quanto, enquanto que Facebook contra com aproximadamente 11%. Me custa acreditar que tentem combater e muito menos vencer, a esses gigantes das redes sociais, ainda que, por desgraça para Telefônica, a rede social de Google só triunfe de maneira clara em Turquia e Brasil. Já é azar, mas o internauta brasileiro, o orkuteiro, valorizou novamente que foi a primeira em chegar e entender o que buscava.
É hora de considerar o que o futuro de outras tantas startups espanholas que começaram como Tuenti e agora enfrentam o problema de maturação, ao que Tuenti se aproximava. O amadurecimento é um ponto que elimina qualquer possibilidade de venda de empresas promissoras que, uma vez que incorporam novos fundos de capital de risco para os acionistas, a fim de ampliar vêem como perdem ao mesmo tempo todas futuras opções de venda. O mais importante dessa operação é que a Telefónica finalmente percebe que a compra online não é apenas comprar talento e absorver empresas.
A falta de talento em seus projetos tem sido o maior erro que tão duramente aprendeu ao longo dos últimos 10 anos, com lançamentos tão pobres como Terra, a Lycos e milhares de outras iniciativas menores. Mas o talento por trás de Tuenti definitivamente vale 70 milhões de euros. Por isso Telefónica respeita um 10%, para o qual os fundadores e os apoiantes da jovem empresa espanhola, que conseguiram chegar até aqui, descubram como lidar com muitas dúvidas que se apresentam para seu futuro.
Tags: facebook, keteke, orkut, Redes Sociais, startup, Telefônica, tuenti
O fim dos downloads; principio ou fim dos direitos civis?
Vários países decidiram aprovar normativas através das quais cada região poderá decidir, livremente, se corta ou não a linha de internet aos usuários que baixem conteúdo protegido por direitos de autor. A partir de ai vimos como os governantes, pressionados pelas indústria discográfica e cinematográfica incluíram modificações em suas leis que afetam o livre exercício das liberdades de expressão, informação e o direito de acesso à cultura a através de internet.
Desde o momento em que saíram à luz, levantaram empresários, bloggers, as associações e os usuários de Internet alarmados ante o possível e justificável corte das linhas e fechamento de paginas, tudo isso sem contar com autorização judicial. E não é para menos. Este corte de linhas e fechamento de webs não é culpa dos ministros mas sim da industria discográfica e cinematográfica, mal chamadas industria cultural, que ao amparo de artistas e pseudo-criadores saludam uma iniciativa que veio orquestrada da sua Mao e que não lhes será suficiente para<salvar um modelo de industria que a todas luzes se mostra insustentável e que necessita do amparo das leis para poder manter seu nível de vida.
Em vários países se redigiram anexos nas suas leis que permitiram o bloqueio das paginas ou a retirada de conteúdos ilícitos pela via judicial. Assim, se velará e salva-guardará os direitos de propriedade intelectual da atrasada indústria discográfica e cinematográfica, frente às hordas de usuários dispostas a arruinar os artistas nacionais.
Ë verdade que a propriedade intelectual e muito especialmente o software e os conteúdos multimídia, cine, televisão e musica foram os grandes prejudicados do avance e a implantação massiva de internet; mas não é menos verdade que esta situação tentou paliar com golpe baixos aos direitos civis, de formas injustas e ininteligíveis, em lugar de buscar uma saída com o consenso de todos os atores que intervenem nesse mundo que esta deixando de ser off-line para<ser on-line.
Este cenário complexo deixa varias dúvidas para com os internautas e tememos que dentro de pouco, com a lei na mao, os governos, a industria discográfica ou cinematográfica, as operadoras ou qualquer entidade relacionada com dos direitos de propriedade intelectual poderão controlar, espiar e utilizar estas normativas para estender ilegalmente seu controle sobre as comunidades digitais dos cidadãos, sem mais opção por parte de esses que acudir uma e outra vez as instituições judiciais em busca de amparo. Ë ai donde esta o x da questão: o problema não é a propriedade intelectual, o problema chegará quando alguémE tenha patente de corso para olhar por sistema nossas comunicações privadas e empresariais. Esse cavalo de Troia navegará em nossos computadores e fará que nos preocupemos por quem controla o controlador. E muito temo que já sabemos a resposta.
Tags: industria cinematografica, industria cultural, industria discografica, lei conteudos ilegais, pconteudos ilegais
Preparando-nos para a ciberguerra

A administração America revolucionou seus corpos militares com uma nova força de intervenção; os “cibercomandos”. Dependentes da Força Aérea dos Estados Unidos e com um orçamento de 2 milhões de dólares no seu primeiro ano de operações, garantem a proteção dos sistemas militares americanos na internet e respondem aos recentes descobrimentos que aportam a certeza de que, durante anos, hackers vinculados a países como China e Rússia entraram em computadores da Nasa e de diversas organizações militares, roubando informação militar classificada e dados satélites, foguetes e inclusive dos transbordadores espaciais.
Talvez possa nos parecer uma necessidade futura para os exércitos dos principais estados incorporarem corpos de elite informática para levar a cabo ações de ataque e defesa através de internet, mas a realidade é que, para nossa intranqüilidade, alguns países estão muito adiantados. Corria o ano de 1996 quando em Beijing se criou o primeiro exercito de guerra informática, que desde então, se encontra a serviço do governo chinês para toso o tipo de operações. Muitas são operações internas, como a censura, a propaganda e o controle de opinião e da dissidência, mas nos preparando para a ciberguerra.
O controle da internet deve ser entendido como o controle sobre a informação e as telecomunicações. Por um lado, esta a capacidade de defesa dos sistemas de um pais ante um ataque e roubo de informação classificada de empresas e governos estrangeiros. A Republica de Estônia sofreu entre abril e maio de 2001 a maior ofensiva cibernética conhecida ate a data. Empresas, meio de comunicação, instituições governamentais, comunicações e bancos deixaram de funcionar. O resultado foi o total colapso informático do pais. As suspeitas sobre a autoria desses ataques recaíram sobre a Rússia.
Uma arma poderosa demais como para deixar passar alto tanto peligro que poderia desprender um mal usa de tanto poder. A ciberguerra e inclusive o ciberterrorismo, abrem novos e inesperados campos de batalhas na segurança e seu foco se transporta à internet. A crescente dependência da rede para as comunicações e as atividades de milhões de pessoas e organizações fazem que deva ser um campo protegido e seguro, longe dos interesses próprios de cada pais.
Cenários cinematográficos e apocalípticos como os narrados no filme “A Rede” (1995, onde Sandra Bullock descobre uma misteriosa rede de espionagem na internet que a envolvera posteriormente numa perigosa trama internacional, já não estão tão longes e tecnicamente impossíveis. Governos de todos os países devem se preparar para esses cenários. E quanto antes, melhor.
Tags: cibercomandos, ciberguerra, grupo de elite informatica, guerra, Internet
Reinventar-se ou morrer
Existem pessoas às quais lhes custa um trabalhão reinventar-se e duvidar de si mesmo e das coisas que vêm fazendo. Eu o necessito ciclicamente, é uma exigência pessoal que me marco.
Para mim, reinventar-se é remoer as coisas, mas remoer as coisas de verdade, de golpe, desde abaixo, duvidando de si mesmo. Começar a pensar duas vezes em tudo aquilo que até o momento considerava indiscutível. Discutir com você mesmo, exigir de você mesmo.
Cada “x” tempo sinto que necessito um descanso, e não de um descanso físico ou umas férias, geralmente a cada não sei quantos anos fazendo o mesmo noto que mentalmente estou esgotado e necessito repensar para onde vou, reinventar o que faço e repensar em um montão de circunstancias pessoais e profissionais.
Imagino que cada pessoa nesses momentos atua de uma maneira muito diferente, eu só posso falar do que sinto e do que faço. Em algumas ocasiões me levanto como se estivesse hibernando e descubro que o que considerava mais importante agora me parece trivial, que minhas prioridades já não são tão prioridades, e que talvez não tenha usado bem o que tenho de mais precioso; o tempo e o que fiz não somando nada de transcendente, nem as pessoas que estão a minha volta nem a mim mesmo.
Nesses momentos penso que necessito uns dias longe e sozinho. São poucos os dias que me sobram um computador, uma conexão de internet ou um celular, mas quando necessito repensar minhas próprias coisas, me sobra de tudo; gera ruído. Nessas horas acredito que devo repensar coisas, pensar se não estou partindo e construindo iniciativas desde um ponto de vista errôneo, desde um erro de base e valorizar se estou tão metido numa frenética dinâmica que não consigo parar e refletir se a inércia me leva para frente sem sentido.
Há vezes que o mais inteligente é parar o tempo, descansar mentalmente e para mim nesses momentos o corpo pede estar sozinho um ou dois dias, perdido e refletindo. Esses dias, por trabalho, por stress e por família, a vezes é um luxo difícil de explicar aos que te rodeiam, mas em definitiva é necessário. Comer um kitkat, como dizia o anuncio, mas de 2-3 dias tranqüilo longe di ruído do dia a dia e de uma dinâmica de inércia que faz em algumas ocasiões que nos levantemos e cheguemos ao escritório como zombies, sem nem sequer saber se faremos algo interessante ali nesse dia, sem um plano, sem uma idéia e acabando perdendo tempo.
As pessoas mais brilhantes que conheci na minha vida se reinventam constantemente. Inclusive desde o ponto no que os demais pensam que pode estar no topo profissional e em pleno êxito, eles não param de contemplar-se, são inconformistas e então tomam uma decisão para alguns surpreendente; renunciam a muitas coisas e mentalmente partem do zero…e voltam a começar. Lamentavelmente para mim as coisas não saem assim sozinhas, talvez por isso procuro parar e refletir me forçando a imitá-los.
Creio que nesse ritmo frenético da sociedade da informação, às vezes corremos como frangos sem cabeça e nos esquecemos no meio da corrida de sentar, oxigenar e pensar. Entender um pouco mais a nós mesmos e finalmente reinventar-nos.
Ninguém melhor que a águia para fazê-lo. Se retira, descansa, se reinventa e ressurge das cinzas depois de um processo de catarses total no qual garante sua sobrevivência, mais forte, mais dura, mais realizada e com a força suficiente para poder afrontar uma nova etapa na sua visa depois de renunciar a tudo.
Nesse vídeo inspirador e real como a vida é, a fabula da águia. Você pode ver e sentir que a resposta esta muito mais próxima, muito mais do que pensamos, geralmente se pode encontrar dentro de nós mesmos se olhamos detalhadamente, e se pode amplificar contemplando a nossa volta, sim, por exemplo, observando a lição da águia.
Tags: aguia, Empreendedores, fenix, pensar, reinventar-se ou morrer
Seu gurú, blábláblá
Mais um ano começa e com ele chega a hora de fazer planos e repassar propósitos para o próximo ano. É verão, chove, os pássaros cantam e os gurus se levantam. Gurús? Com todas e cada uma das letras, por todos os lados até debaixo das pedras; conclusão, não sofrem com a crise, ser um guru de nada é cômodo e grátis.
Cortesia de @albertoartero recebi há alguns dias um elance que fala sobre a reprodução de todo o tipo de gurus de internet como coelhos. Num estúdio sobre Twitter passaram de uns 4.500 em maio de 2009 para cerca de 16.000. Curiosa a historia- Gurus de internet, gurus de social media, de viralidade, de marketing digital, até os que se consideram a si mesmo como “ninjas” como os “social media ninjas” (meus preferidos!!!).

Deve ser o desemprego que deu muito tempo livre à mente coletiva, mas não há nada mais frustrante que ver que alguém se auto-considera guru sem ter menor idéia do que esta falando, já que de fato é obvio que o autentico guru é simplesmente você e não esse insignificante sujeito
Falando mais ou menos sério, coincidiu com a moda de ser guru de algo, não importa de que, com a publicação da lista dos mais poderosos da internet, Ainda não a li e sei que saem alguns amigos e entendo que é bonito sair em listas, eu não critico o mais mínimo. Evidentemente não saio na lista, entre outras coisas porque não empatei com ninguém, mas creio que me colocando na pele de os que saem deve ser uma experiência bonita, porque alguém lhes valorizou. Onde acredito que não lhes fizeram nenhum favor foi empregando etiquetas radicais, ofensivas para o resto da humanidade: “os poderosos” ou como faz alguns meses “os amos”, isso deixa aos seus seguidores e o resto da humanidade em mal lugar. São títulos espetaculares, jornalísticos, que creio de verdade que não fazem nenhum favor as pessoas as quais menciona, que sem comê-lo, nem bebê-lo se colocaram uma etiqueta que muito possivelmente não desejam por prudência.
Assim começa o ano, divertido observando estas coisas e pensando se pedir ¼ de um guru de os 16.000 listados pelo Twitter.
Não gosto do término, o que sim gosto e acredito de verdade e defendo que existe é “influente”. A pessoa que se auto-considera um guru de algo, parece que além de querer confete, é muito pouco inteligente. Isso por si só, denota não entender nada, e ser intelectualmente soberbo, possivelmente um prepotente.
Não acredito que haja gurus na Espanha, que é o mercado que melhor conheço. Acredito que existam pessoas, sejam empresários, blogueiros, professores ou meio pensionistas, que são capazes de te fazer pensar e ainda que não estejam de acordo com o que pensa, essa é a chave. Para mim são influentes, estimulam certas idéias e reflexões, ainda que opostas às suas. São pessoas que te fazem pensar e isso tem muito valor, são um estimulo, mas isso não quer dizer que comprarei o mesmo televisor da marca que eles gostem.
São pessoas que tem a habilidade de por coisas na minha agenda mental, de me estimular e me fazer pensar sobre temas que não tinha na cabeça. Influem-me, recheiam minha agenda de idéias e pensamentos.
Faz pouco tempo que Joshua Novick falava de humildade e fazia uma bonita e adequada reflexão sobre o que falta nesse setor e sem duvida é a modéstia. O olhar em ocasiões a outros lados da calçada pensando que estão antiquados e que somos nós os que sempre estamos no lugar certo; o demais desaparecerá, ficaremos nós, os que sabem, os que acertaram, os campeões, os gurus…? Acredito que é uma reflexão muito complementaria nessas linhas, bonitas de ler.
Não mencionarei quem, mas na primeira semana de dezembro me lembro uma comida com um banco em Madrid. Num momento dado, um dos meus interlocutores a quem já conhecia, me apresentou ao seu acompanhante como seu “guru de internet”. Não pestanejei, só olhei com perplexidade ao ver que aceitava de bom grado e assentia ante tal qualificativo; “merda – pensei- hoje como com um imbecil. Casualidade ou não, não me equivoquei.
O que eu quero dizer com isso é que se alguém te considera um guru, diz pouco de si mesmo e que não esta fazendo nenhum favor – ao contrario, esta pondo uma migalha mais para que você se ache o que não é e mais alta será a queda. Se você se auto-considera um guru, então, muchacho, deverias pensar que tem um problema e necessita uma boa surra de humildade.
As pessoas mais inteligentes e de mais êxito que conheci na vida escutaram sempre aos demais ainda sabendo muito mais que eles, jamais se acharam e por norma geral, sempre se consideram meros aprendizes, ainda quando objetivamente não havia ninguém com conhecimentos sobre seu campo que ao menos pudesse lhe fazer sombra. Talvez hoje em dia venda mais ser um guru ou um ninja de algo. Mas muito possivelmente seja mais de verdade se você só é o que é, uma pessoa mais.
Música e lentilhas
Esta é a tribuna que foi publicada no dia 20 de novembro pelo diário espanhol 5 Dias, sobre a industria musical baixo o titulo “”Musica e lentilhas”. A verdade é que o titulo original era “Música, vaselina e lentilhas”, mas em paginas de um diário econômico nacional a vaselina era…digamos que agressiva demais.
Minha receita para a Indústria da música:
Se o papel de internet foi decisivo numa industria, essa é a industria musical.
As companhias discográficas durante a época dos 80 e dos 90 viveram uma época dourada. As quatro mais importantes gravadoras Sony, Warner, Emi e Universal, acostumadas a enormes rentabilidades e a poder ir acumulando pequenos e não tão pequenos selos discográficos dentro dos seus catálogos, a atuar com soberbia com o usuário e artista, foram vendo pouco a pouco acurralados por vários fatores, que ameaçam seriamente a viabilidade e esses gigantes com pés de barro.
Em primeiro lugar o suporte obsoleto; o CD. Envelheceu mal, muito mal. Longe do glamour e ventas sustentadas que ainda hoje tem para nostálgicos o vinil, a fabricação, estocagem, distribuição, gestão de vendidos e distribuição do CD o converte num suporte obsoleto em vias extinção. Morrerá, e essa vez não haverá nem sequer uns poucos nostálgicos que sentiram sua falta.
Também a pirataria. Este é um tema extremamente complexo que cria a paradoxa de enfrentar à industria com quem são, o ao menos deveriam ser, seus próprio clientes. Não há postura mais absurda que a de navegar passo a passo de mãos dadas com à sociedade, atendendo suas demandas, adaptando-se aos tempos e assim explorar novos modelos de negócios aproveitando a tecnologia. Isso, lãs grandes gravadoras, parecem não entender e insistem em demandas contra criadores de software, usuários que descarregam música, e paginas web que enlaçam mp3.
Para compreender o fenômeno da pirataria devemos olhar no espelho e entender que o papel dos direitos autorais, que atua amedrontando e demandando o consumidor final com situações pitorescas próprias de um comic satírico, não faz mais que alimentar uma defesa dos downloads ilegais por parte de certas elites intelectuais. O Canon digital é uma das vergonhas de nossos dias, uma situação transitória que eve finalizar pelo bem da indústria e dos usuários, e esse será um ponto imprescindível para que chegue a paz social, nesse enfretamento aberto dentro do setor dos conteúdos musicais.
Talvez por isso recomendo lentilhas, há que adaptar-se à sociedade e deixar de se lamentar de que qualquer tempo passado foi melhor, hoje nenhum artista venderá um milhão de copias a 30 reais, essa época se foi. E se as discográficas pretendem seguir com seu enfrentamento com artistas e sociedade, minha recomendação e receita sim, eu sei, algo escatológica, se centraria na vaselina porque vão precisar.
Tags: 5 Dias, discograficas, Emi, industria musical, música, Sony, Universal, Warner
Poucos indígenas
Resulta extremadamente curioso e até cansativo ter que me reunir às vezes com empresas que vêm me ver (por qualquer idiotice que geralmente poderia ter sido solucionado com uma chamada, ou melhor ainda, via email) e a que aparece o CEO, o CTO; e quase até o CSI e quando alguém muda minimamente algo na empresa, são eles e ninguém mais.
Não só parece que são surrealistas essas estruturas tipo: todos os chefes, nenhum indígena, e sempre penso “caramba, se são três pessoas que trabalham na empresa e estão aqui os três perdendo o tempo com uma pessoa tão pouco importante como eu; quem então está trabalhando?
No relacionado com a tecnologia, ao meu entender, é inclusive desejável que as estruturas podem e devem ser principalmente três coisas: horizontais, dinâmicas e escaláveis.
Muitos exemplos de pouca sustentabilidade nos últimos tempos que foram feitos quando, por exemplo, no caso de meios online, a publicidade baixa, haja drama. O ruim é que em muitas ocasiões, apesar de saber bem a teoria, alguém cai nesses mesmos erros, e sim, aconteceu comigo e co-participei varias vezes disso. Grave erro.

Os indígenas não são só necessários, como são imprescindíveis e os mais importantes em qualquer estrutura, e em Internet tendemos a fazer todo mundo “chefe” de algo; quase nenhum índio. Diretores de Comunicação nos que eles são as únicas pessoas do departamento, o mesmo CTOs, CEOs de si mesmos, etc. É uma impostura que fique bem nos cartões de visitas, mas já roce ocasionalmente o surrealismo.
Aposto conceitualmente pelas estruturas que dão liberdade lateral ao indivíduo e se tem talento certa liberdade vertical, que reporte a uma única pessoa e que sejam quase totalmente horizontais, tendo somente dois níveis e que estejam longe do sistema piramidal clássico, no qual em ocasiões, no caso das grandes empresas, a informação chega ao topo, onde se tomam as decisões com maiúsculas, sempre quando é tarde e quando o problema já esta sobre a mesa.
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