Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Capital de Risco para favorecer os investimentos
No meu país, Espanha, as possibilidades de conseguir financiamento se apresentam mais que negras para empreendedores e empresas. O ano passado terminou com o cerre do financiamento bancário, exceto para perfis de risco muito consolidados. Fomos conscientes da prática inexistência dos investimentos particulares e tenho a percepção de que o capital de risco, que nesse cenário cinza poderia colaborar, não está presente e nem aparecerá.
Todos nós sabemos que o capital de risco, quando bem utilizado, é um instrumento eficaz para que as empresas possam reforçar-se no seu lançamento ou em momento de certa penúria. A criação de emprego nas companhias participantes por entidades de capital de risco, a margem da importância do seu valor social, se leva a cabo a um ritmo de 15%. Esta porcentagem é muito superior ao ritmo de crescimento das empresas não financiadas, que normalmente não superam os 5% e é algo que deve ser levado em conta, legislando e apoiando em pró do progresso.
Mas não só ajudam a gera vagas de trabalho, também favorecem o emprego de qualidade. A viabilidade futura da empresa também se vê refletida segundo seja sua origem: aquelas onde o capital de risco aporta fundo mostram uma mortandade próxima aos 4%, enquanto que o 60% das empresas não participantes não sobrevivem aos três anos de seu nascimento. Este é outro ponto a levar em conta para favorecer o trabalho a essas entidades e ajudá-las nas suas necessidades.

Entretanto, o capital de risco está cada vez mais longe das empresas. Só é dado se nossos projetos de investimento encontram-se dentro do setor de produtos de consumo o da medicina e saúde. Assim, as empresas de produtos e serviços ou as empresas da biotecnologia e engenharia genética seriam as únicas áreas onde as entidades financeiras de capital de risco, em teoria, poderiam ajudar a começar, expandir ou consolidar nossa empresa.
Mas essa queda da atividade dos fundos da venture capital não acontece somente no mercado espanhol. Em países como Estados Unidos a queda foi maior, próxima aos 60%. Obviamente, partindo de cifras de negocio a anos luz das do meu país.
Durante anos, muito sustentamos a idéia de que os fundos de capital de risco apenas estavam presentes e atuavam como bancos; simplesmente financiando, geralmente sem arriscar e atuando sobre terreno seguro. Entretanto, num entorno como o atual é importante contar com um instrumento como o capital de risco, que demonstrou claramente sua utilidade para apoiar e desenvolver as empresas nas fases recessivas como expansivas do ciclo econômico.
Agora, podemos dizer que o setor desapareceu e é de suma importância recuperar essa atividade econômica, deve surgir os autênticos brotos verdes que permitirão a novos projetos, empreendedores e empresas começar a trabalhar e proporcionar à sociedade o que agora mais precisa: novas oportunidades de emprego.
O credito bancário, a plena atividade do capital de risco e a legislação que regula e fomenta a atividade de Bussinsss Anges serão os fatores primordiais que determinarão nosso desenvolvimento futuro, laboral e empresarial. A recuperação está em nossa mão, mas é imprescindível que todos os atores do mundo financeiro dêem um passo apara frente e comecem a atuar.
Tags: Capital de Risco, Capital de Risco investimentos, financiamento empresas, investimentos empresas
Comprar talento
A notícia dos últimos dias foi o anuncio da compra de 85% do Tuenti (rede social líder na Espanha, similar ao Orkut aqui no Brasil) por parte da Telefônica, os 70 milhões de euros desembolsados e as condições firmadas na venda, assim como a saída da companhia do atual presidente de Tuenti, Bernardo Hernandez. É um movimento interessante que reforçará a posição de Telefônica no mercado de internet móvel entre os jovens, com crescimentos anuais de 35%.
Resulta interessante analisar o papel na Espanha do resto das operadoras como Orange e Vodafone, que tentam ainda rentabilizar nas suas contas de resultados suas licenças de operador, sem planos claros e investimentos que os posicionem e permitam fazer jus a Telefônica nesse pais. Enquanto Telefônica perdia anos de tempo (e uma ingente quantidade de dinheiro) em lançar um produto sem sentido, que nascia tarde, mal concebido e morto, como sua rede social Keteke para tentar se posicionar no mercado das redes sociais, estas operadoras puderam – por uma pequena quantidade de dinheiro – investir e comprar uma participação no Tuenti quando a companhia realizou um road show em busca de investidores. Tiveram vários anos para frear que telefônica acabasse desembarcando no Tuenti e portanto tendo a maior base de dados dos jovens espanhóis.

Pessoalmente acredito que Tuenti é uma startup de muito mérito, seus promotores demonstraram um enorme talento e visão, mas tecnicamente esta a anos luz do Facebook e seu mercado a médio prazo não passa por poder competir com o gigante americano, senão por buscar sua própria personalidade e se expandir-se em todo o mundo. Essa operação e muito barata para uma companhia como Telefônica. Chegar a 8 milhões de pessoas de forma permanente e frear o crescimento dos concorrentes (Tuenti tinha já acordos com Vodafone para o envio de SMS que provavelmente agora vão se diluir), por somente 70 milhões de euros é barato demais.
Para mim, é especialmente significativo que no acordo se tenha respeitado 15% das ações nas mãos dos fundadores do Tuenti, uma mudança de enfoque na política de uma companhia acostumada a desembarcar como um elefante em uma loja de cristais nas suas investiduras.
É a equipe de Tuenti a que demonstrou talento e o know how necessário devem ser eles os que dirijam o rumo da companhia. Aprenderam algo nesses anos. Telefônica não só compra uma empresa, não só compra uma rede social, o que realmente compraram e integraram é talento.
Tags: Investimentos, orange, Telefônica, tuenti, vodafone
De desempregados à empreendedores
Talvez tenha chegado o momento de converter desempregados em empreendedores. Chegou o momento de ajudar a esses desempregados a empreender, transformar uma parte em empreendedores, em futuros empresários que nos próximos anos possam criar valor e oferecer a terceiros postos de trabalho. Reverter essa situação é critico não somente para mudar o drama atual de milhões de famílias, mas sim para nos situar num cenário de crescimento sustentável no futuro. O objetivo chave de qualquer governo deveria ser os nascidos nos anos 70 e especialmente as mulheres.
Pessoas entre 30 e 40 anos, com iniciativa, que sejam o germe da revolução do modelo produtivo e para isso são necessárias mensagens positivas, incentivos e estímulos nessa direção; chegou o momento de que dêem o salto, de assumir riscos e de ter incentivos para tal. Empreender não é tão simples e as gerações jovens têm um handcap a mais.
A falta de claros referentes em gerações anteriores, falta de espelhos onde se olhar, sucessos pessoais que querer emular. Falamos de dar a volta ao que conhecemos como “geração perdida”, uma geração onde a falta de empreendedores será um lastre para toda a sociedade num futuro próximo. Que essa geração perdida não seja a chave nessa conjuntura econômica e é um imperativo para a administração lhes estimular, lhes formar e lhes empurrar a dar um salto. Não há melhor receita contra a crise.
É o momento de ser decidido, não de duvidar. Olhar pela janela e ainda que não haja rede, ter claro que chegou o momento de pular. Com uma crise global que nos afeta a todos e que provoca o desemprego seja uma lacra cada dia maior e um drama real para as famílias, manter essas famílias por parte do Estado se converte num enorme handicap no balanço econômico de qualquer pais.
Isso que deveria ser obvio por desgraça não é. No caso de Espanha, por exemplo, segundo o informe Doing Business 2010 que elabora o banco Mundial e mede a facilidade para fazer negócios em 168 países, este pais se encontra no numero 62 do ranking mundial, sendo a nação desenvolvida de maior retrocesso no ultimo ano. O Banco Mundial analisa com este indicador quatro pontos chave (facilidade para abrir uma empresa, contratação laboral, proteção dos investidores e pagamento de impostos) e situa Espanha com capacidade de fazer negócios atrás de países como Botswana, Armênia, Samoa ou Mongólia. Como não poderia ser de outra maneira no Top10 dessa classificação estão países como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Canadá, Austrália e Noruega.
É ai onde temos que nos posicionar e é obrigação da administração estimular a geração perdida e transformar o drama do alto numero de desempregados numa oportunidade para essa esperança de mudanças.
Tags: crise, desemprego, geraçao perdida, incentivo empreendedores
Merda! Era em L
Era o ano de 2007 e muitos já pensávamos que as coisas iam ser difíceis. Os mais “progressistas da classe” acreditavam que éramos uns agoureiros e que não chegaria o sangue ao rio. Lamentavelmente se equivocaram e o resto já é outra historia.
Passaram meses e chegamos ao 2008. As conversações de bar, nos blogs, na rua em definita já não duvidava sobre se haveria ou não crise, mas sim valorizavam como ela seria. Com um desenho em “V” diziam os otimistas, em “U” ou em “L”, o desenho mais temido, que acaba em uma larga recessão antes da saída. Não sou adivinho e nunca imaginei como poderia ser. Nesses anos tive sentimentos encontrados. Tive momentos em que pensei que tínhamos chegado ao fundo do poço e que tudo já melhorava, ainda que fosse pouco a pouco e semanas ou meses depois parecia que o poço não tinha fundo e seguíamos indo para baixo.

Nos últimos meses parecia que tudo ia melhor, e me recordei de um velho post que publiquei já faz um tempo “Fechando a torneira”. Pensei que tinha que passar pagina voltar a investir em projetos de terceiros e a correr alguns riscos. Isso me levou a investir em 3 projetos de internet, uma biotecnologia, além de um meio de comunicação tradicional (com futuro e sinergias na internet) nos últimos 3-4 meses. Ou seja, fechou 5 investimentos desde maio. Mais do que fechei nos últimos dois anos em poucos meses.
Só comentei e anunciei um desses investimentos (2B Blackbio) já que os fundadores o comunicaram em nota à imprensa. O resto, alguns contratos já assinados e outros ainda não, se acabarão de fechar estas semanas, mas já foram conversadas.
Durante esses dois anos vi muitos projetos que gostei e alguns me alimentaram alguma ilusão e em ocasiões tive a oportunidade de participar deles, mas me senti algo pressionado e não o fiz. Enquanto eu acreditava que tudo pouco a pouco melhorava, que a crise fazia um gráfico de U e sairíamos rápido. Da mesma forma que tomei precauções rapidamente quando temi vir, achei lógico que com os primeiros raios de sol me apressasse a apostar por projetos que além de fazerem muito sentidos, me agradam.
Achei que era hora de abrir a torneira. E digo por que nas ultimas semanas os números macro, os dados que vamos conhecendo, a situação das empresas, o feeling das pessoas próximas, a evolução das minhas próprias companhias e participantes, assim como a percepção pessoal é que foi uma breve miragem, uma pequena luz no fim do túnel, mas na verdade seguimos no buraco. Não acredito que as coisas piorem, mas quando parecia que a tendência se desenhava para cima, parece que voltamos a perder o impulso que ganhávamos.
Agora mesmo, de novo, me esfriei, é possível que seja somente temporal para pegar impulso, de novo sinto que devo diminuir o ritmo de investimentos e não expor o risco econômico nos próximos meses. Vivemos a base de sensações, sensações que estão a flor da pele já que tudo parece uma montanha russa. Minha sensação é de como se tivesse terminado uma festa de fim de semana e nos tivesses ficado com uma enorme ressaca, com a cabeça dando voltas, assumindo que voltamos à triste realidade pensando “merda, era em L”.
Tags: crise, crise em l, crise em u, crise em v, saida da crise
O mérito de criar negócios
Empreender hoje em dia tem certo mérito. O empreendedor atual é uma mistura de um Dom Quixote surrealista com um louco moderno, que sente que vai em contra da corrente geral da sociedade que lhe rodeia e que muitas vezes consegue o confundir para desistir de sua épica batalha. O mundo necessita mais empreendedores, mais iniciativa, mais inovação e possivelmente menos funcionários de espírito. Nesses duros momentos econômicos, a crise se esta levando por diante aos primeiros: os ousados e inovadores.
São tempos duros em todos os países, e é necessário ter gente capaz de assumir riscos e se lançar ao nada, uma opção complicada, que contrasta de forma selvagem com outras opções muito controladas e seguros a nível laboral. É algo como saltar ao vazio como estamos vendo no caso de muitos autônomos. Um empreendedor não é mais ou menos que um funcionário ou um assalariado.
Numa sociedade como a nossa, todas as sensibilidades são necessárias e é compreensível que haja um alto numero de pessoas que queiram estar segurar de um trabalho para toda a vida, mas a economia global também necessita pessoas que se arriscam. Dignifiquemos o termo empreendedor! São muito mais que necessários!
Em primeiro lugar, porque todos, com maior ou menos sucesso, aportam iniciativas dentro de um “momentum” em sua grande maioria medíocre e inerte. Em segundo lugar, porque o empreendedor é o embrião do empresário que cria riqueza e valor. Há poucos empreendedores? Muito poucos. Si é verdade, mas não é menos verdade que muitos deles são sensacionais. As instituições, o sistema financeiro e o capital de risco, em muitas contadas ocasiões apóiam as iniciativas de novos empreendedores e quando as apóiam, fazem de forma tão agressiva com o mentor do projeto, que acabam estrangulando-o.
Você tem que ir à luta por você mesmo, sem esperar nenhum tipo de ajuda e principalmente sem acreditar que terá a opção das ajudas anunciadas constantemente na televisão se você encontra finalmente no momento critico empresarial que todos tememos. Por outro lado, a todo os que gostam de empreender chega também o momento no qual nos vemos refletidos com uns anos menos, mas esta vez na pele do novo empreendedor, inquieto e cheio de idéias. Apostar e apoiar por uma nova geração de empreendedores e atuar como “Bussiness Angel” é para alguns de nós tão vocacional como criar um projeto em primeira pessoa.
É uma ilusão tão especial como a que todos vivemos ao gerar nosso primeiro projeto e criar aquela primeira empresa. Muitas vezes é tão difícil empreender como ajudar a um terceiro a que empreenda. Ë por isso que nos faz falta um apoio especifico no setor dos sonhadores, aos construtores de ilusões, e ainda mais, aos mentores destes, que são inclusive mais difíceis de encontrar que os primeiros. Os governos dos diferentes países devem tirar da cartola leis que se convertam num estimulo mais para os empreendedores e seus mentores.
Tags: criar negocios, Empreendedores, empreender, incentivo empreendedores, projetos
Participarei no Projeto 2B BlackBio
Creio que é o momento de passar a ser mais ativo em investimentos, depois de uns meses nos que não tinha – baixo meu ponto de vista – muito sentido mover-se, principalmente pelos riscos econômicos, acredito que temos que começar a fazer coisas, mais que pela situação global, mas porque já estamos vivendo com o susto, nos acostumando a ele.
Não é nenhum segredo, ainda que seja verdade que fui muito ciumento no que publiquei sobre ele, que trabalho quase 1 ano e meio, junto com muitas outras pessoas, no projeto Genolab, sobre o qual poderei a dar muitas informações em breve. Hoje queria aproveitar para anunciar, já que ontem se fez publico, minha participação em outra empresa inovadora no âmbito da tecnologia.
Investi num projeto que eu gosto especialmente, 2B BlackBio, uma empresa espanhola de biotecnologia que nasce com o objetivo de nos levar a uma cenário de medicina personalizada baseada na geometria e proteomica, e que terá como principal mercado Europa, Ásia e América. Trata-se de uma companhia nascida na Espanha com capital nacional e internacional e dimensão global.

Por esse motivo e essa vocação global, BlackBio se apresentou faz um mês no fórum de Deutsches Eigenkapitalforum na Alemanha, algo pouco comum para uma empresa espanhola. Do mesmo modo, em alguns dias participaremos em Biomedica 2010, Aachen, também na Alemanha.
Esta primeira ronda fechou uma aplicação de 400.000 euros de capital privado, que incubem vários investidores privados nacionais e internacionais e empresas do setor. Além da minha participação acionária na companhia, será um prazer ser um dos conselheiros da mesma.
Creio que estamos num cenário chave para empresas BioTec, é necessário apenas visitar EUA para ver como a linha internet/tecnologia e biologia e Cleantec é cada vez mais fina, eu diria quase inexistente. É um setor no qual devemos estar, e, além disso, para mim o poder participar tem enormes somas, a primeira: as sinergias e colaborações estabelecidas com Genolab, segundo a presença como fundador e conselheiro delegado Pedro Franco Sarabia – fundador de uma das mais antigas empresas do setor na Espanha, Biotools e pessoa de referencia no mundo da biotecnologia.
2b BlackBio realizara desenvolvimentos próprios e para terceiros, com foco na investigação em Oncologia, Wellness, Cardiovascular, alergias, farmacogenomica e microbiologia, utilizando para isso diversas ferramentas como microarrays de proteínas, PCR em tempo real.
Atualmente a BlackBio comta já com sua primeira patente internacional registrada, um revolucionário Biokit desenvolvido BlackLight Sepsis Kit (patente PCT ES2009 00507) que permite identificar em 4 horas qualquer infecção bacteriana, inclusive sem ter sintoma algum por onde poderia surgir tal infecção.
Além disso, em pouco temo se apresentarão outras 4 patentes nas quais trabalha a equipe de BlackBio a alguns meses.
Tags: biotecnologia, blackbio, genolag, investimento biotecnologia, medicina tecnologia
Os investidores são de Marte, os empreendedores são de Vênus
Citando o genial Jonh Gray (“os homens são de Marte as mulheres são de Vênus”), me permito esta breve parodia para deixar uma minúscula reflexão no fundo, as pessoas são muito diferentes, mas os róis contrapostos nos distanciam ainda mais.
Pensamentos prévios do dia antes:
Investidor:
Caramba! Reúno-me com outro lunático essa manha. Espero que valha a pena, olhando as primeiras paginas do Bussiness Plan é ate possível que saia algo interessante: está bem apresentado, não tem muitas faltas de ortografia e inclusive me atreveria a dizer que os números pareciam consistentes. Ainda assim, como sempre prepararei uma boa desculpa para cortar a conversação se o assunto se descontrola, no me vai ser um desses iluminados pertencentes à igreja da “minha idéia” que faça perder a manha.
Empreendedor:
A verdade é que não sei muito bem o que faz esse cara que verei essa manha, mas li em Loogic e em vários fóruns de Internet que tem dinheiro. Tenho que ensaiar meus argumentos sobre os 60 slides que preparei, parecem profissionais, o homem vai enlouquecer! Dá na mesma; esse cara não vai entender metade do que lhe estou contando assim que devo parecer muito seguro antes de tudo, vamos ver se consigo por a mão na grana!
Impressões no primeiro instante da reunião:
Investidor:
Esse homem nunca colou um terno e uma gravata na vida. Se nota. Com certeza não é o tipo que gostaria de ter como namorado da minha filha…Bom, vamos ver o que tem para dizer e se não é mais do mesmo…tenho um almoço às 14hs, com 30 minutinhos, ele tem tempo de sobra…
Empreendedor:
Droga! Era mamão com açúcar e agora me intimida um pouco o cenário. Bom, sorte e adiante, esse tonto não tem a mínima idéia de nada, ou seja, não se atreverá a discutir nada.
Pensamentos durante a apresentação:
Investidor:
Bonitos gráficos, bonito logo, bonito Mac, caramba, cada dia esses garotos montam melhor esses Power Points…espero que não seja outro desses profissionais das apresentações e logo não tenha mais onde coçar. Vamos ver se acaba já de me contar o rolo e vamos diretamente aos números.
Empreendedor:
Hahaha! O cara está como alucinado me escutando, não tem duvidas ou é que tem tudo claríssimo? Vamos ver se é um pirata e estou falando demais e o canalha tentará copiar minha idéia. Não, isso não. Nunca encontrará alguém como eu para colocar o projeto em andamento.
Depois da apresentação, chegam as perguntas:
Investidor:
- Bom, parece interessante, mas você não acha que uma valoração de 2 milhões de euros por uma companhia que ainda não existe é um pouco digamos…agressiva?
Empreendedor:
(que idiota, mas o que acontece com esse cara, não vê o potencial da MINHA idéia?)
Eu vejo como um preço justo de mercado. A valorização de projetos com esse potencial em países da Europa é muito superior. Além disso, pensamos em faturar 20 milhões de euros em 2014.
- Sim, sim, bom e me poderia dizer em que te baseia para que possamos chegar a essa faturaçao? – pergunta o investidor – Realmente, acredito que não haja companhias de internet que faturem cifras como essas no Brasil.
- É só você olhar para o mercado americano!
- Ahhh, claro, os americanos! Mas você não acha que o mercado americano é maior e com maior potencial econômico que o brasileiro?
- Mas é que nós, além de sermos os lideres do setor, pensamos em 2011, expandir a empresa por toda Europa.
- Entendo, mas isso não requer fortes investimentos que não vejo contemplados no Bussiness Plan atual?
- Isso contemplaremos numa segunda ronda em 2010. Agora te oferecemos um 10% da companhia por 200.000 euros. É o dinheiro necessário para arrancar.
- Acontece que meu limite de investimento é até 100.000 euros, sua cifra é demais para mim…
- Não importa, podemos modificar o Plano de Negócios e arrancar com 100.000 também gastando meios em publicidade.
- E essa mesma publicidade como suplementaria? Como popularizaremos o produto?
- Utilizando as redes sociais! Graças a viralidade das redes sociais!
- (Cara de poker) E que perspectivas de futuro tem a empresa, a quem poderemos vender no futuro?
- (vender? Mas esse cara é imbecil? Se vamos faturar 20 milhões em 2014 e lhe ofereço ser o rei do mundo, como que vender? Bah, direi o de sempre). Com certeza em 1 ou 2 anos telefônica e nossos competidores internacionais estarão interessados e será uma grande oportunidade de fazer caixa.
- Eu não vejo a telefônica comprando isto… De fato não compram nada de internet.
- Bom, pois então nossos concorrentes internacionais… Ou algum banco.
- Sei, sei. Gosta da idéia e parece que há uma boa equipe… Teria que valorizá-lo um pouco mais…tenho minhas duvidas…Os ingressos baseados em publicidade me dão medo, não sei eu se essa aplicação será realmente tão brusca como para conseguir esses níveis de faturamento.
- É uma oportunidade…Já falei com João e Gregório e estão interessadíssimos…querem levá-lo ao seu comitê de inversão e fechar o negocio o quanto antes.
- (João e Gregório? Não me venha com essa, que tonto! Esses não entram nem com reza brava nesse tipo de valorização, com certeza lhe oferecem pagar “em espécies”). Bom, bom – sentencia o investidor – façamos então uma coisa, que eu tenho que ir a um almoço…vai avançando com eles, gostaria de voltar a ver o projeto em alguns meses, quando o tenham um pouco mais maduro.
- (pois você que esta perdendo idiota!)- Sem problemas, espero que não seja tarde demais e que você fique de fora, porque o preço será mais alto e esta ficando fora do meu controle. Até logo.
- (para esse cara nem Deus dará dinheiro). Tchau.
Qualquer semelhança com a realidade não é simples coincidência, esse poderia ser o resumo de um dos muitos encontros –tipo investidores e empreendedores, dos coletivos tão complementários e necessários.
É que, no fundo, todos somos muito diferentes, mas o investidor e o empreendedor, som muito mais.
Tags: empreendedor, Internet, investidor, marte, Tecnologia, venus
Quando a torneira abrirá?
A crise vai seguindo a evolução esperada. Ou ao menos, a eu imaginava/teia, ou seja, não sei se vão recuperando já como parece alguns países, o que sei é que por aqui não há o mínimo sintoma de melhora.
Muitos de nós estivemos pensando se chegava a crise ou não. Logo se chegava ou não ao setor das TICs e internet, logo a assumimos e tentamos por em posições defensivas com maior ou menor acerto, tentamos adivinhar como seria este momento, quando sairíamos dele, começamos a assumir que Espanha demoraria 1-2 anos mais que os demais países do mesmo entorno, vimos com respiração contida como aumentava o desemprego…em que momento estamos?

Eu penso que em terra de ninguém, estamos num momento no qual se começa a ver como países que, SIM, tomaram as medidas e fizeram seus deveres de casa como USA, Alemanha, França tocaram o chão e começam a pensar em voar outra vez. E para nós ainda falta muito.
Publicava há muitos meses um post chamado “Fechando a torneira” que acredito que era muito realista de acordo com o que pensava nesse momento. Nele, eu explicava que fechávamos os investimentos externos, que era o momento de descansar e de preparar-se para problemas, duvidas, quedas de benefícios. Nesse momento seguimos atados… Mas, quando sairemos dessa?
Ontem vendo o gráfico do IPC no qual se via que a queda começava a moderar-se e em minha percepção é que finalmente tocaremos o solo para começar a decolar em vários meses, mas que provavelmente a decolagem seja tão lenta que não recuperaremos o nível aquisitivo de 2007 até pelo menos 2011.
Eu continuo nos meus treze, talvez constrangido por uma situação na qual o que é mais lógico é re-investir e apoiar as empresas nas quais já participa em suas necessidades de capital. Não realizarei investimentos importantes em projetos de terceiros nem no que resta do ano nem muito menos no primeiro semestre de 2010, ai será o momento de pensar se é a hora ideal para voltar a valorizar opções no segundo semestre de 2010 ou já 2011.
Obviamente esta atitude pode fazer perder boas oportunidades, mas acredito que o momento é tão mal e o risco tão grande, que é o mais inteligente ou ao menos o mais sensato, perdendo o trem que se perca, para não gerar problemas maiores.
O que sigo com muita atenção é a evolução dos projetos que apresenta a AIEI, vejo em nossa reunião mensal alguns projetos muito interessantes e outros que não gosto tanto e pelos quais não apostaria. Estive tentando investir em alguma coisa esse ultimo mês, mas me encontro em ocasiões coisas que me envergonho como valorações de companhias não existentes, sem modelo de negocio valido, sem pagina web, e em definitiva sem haver começado a funcionar, nas quais os empreendedores sem pestanejar dizem que sua valoração é de cerca de 3 milhões de euros, te pedem 200, 300.000 ou 500.000 para ganhar uma mínima participação de algo que nem existe e que não investiram nem um euro e ficam tão a vontade.
É ou não é isso um bluf, uma bolha, uma piada de mau gosto?
Nesses casos, se pode esperar a que baixe o efeito gasoso e que voltem à realidade, ou simplesmente esquecer o assunto. Não gosto das pessoas que constroem castelos de naipes, yo nesses casos me esqueço do projeto, e em ocasiões do empreendedor, por mim, que aposte o seguinte.
Ainda que alguns costumam ligar mais tarde e reconhecem que sua valorização não era sustentável, que era meter um gol ridículo e que depois de tentar vender a burra estão dispostos a entrar em alguma equipe da lógica, eu já não quero estar nesse tipo de projetos que estão ou estiveram inchados artificialmente, que não se sustentam. Não estou cômodo.
Gosto dos empreendedores lógicos, sensatos, é imprescindível o talento e a seriedade em qualquer aventura e se não é, ou eu, ainda que seja erroneamente não o vejo, não quero estar na equipe, não seria coerente.
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Um vídeo que você tem que ver SIM ou SIM
Não o conhecia, mas se você é empreendedor, se você é um sonhador, ou simplesmente tem ilusões de futuro na sua vida, esses dois vídeos que totalizam aproximadamente 14 minutos são imprescindíveis.
É possível que no passado esses largos 14 minutos me dariam preguiça, que não passe o mesmo com você, serão os 14 minutos mais bem aproveitados da sua vida.
Steve Jobs, fundador da Apple e Pixar, abertura do curso Stanford 2005 (legendas em português):
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Genolab: Internet, inovação, medicina, genética e biologia molecular
Na ultima quarta-feira estive no Iniciador, um evento que teve lugar em Madrid/Espanha, com o objetivo de reunir empreendedores para que estes possam compartir entre si, experiência e conhecimento. O Iniciador também é conhecido por suas conversas informais, onde os empreendedores presentes também abordam temas como busca de financiamento, planos de negocio, promoção de um produto, provedores de serviço e todas essas ramificações que fazem do empreendedor um profissional tão qualificado.

Aproveitei minha presença no evento para falar pela primeira vez em publico sobre um projeto no qual venho trabalhando há quase um ano, uma star up de biotecnologia e Internet, um projeto especial e muito interessante, uma vez que representa a inovação, o avanço a nível genético, as possibilidades de investigação aberta e cientifica e principalmente porque trata-se de um setor de desenvolvimento que conjuga Internet, inovação, medicina, genética e biologia molecular, nos colocando na ante sala da medicina preventiva “a la carta”, ou seja, da medicina personalizada baseada na constituição genética, fortaleza e fraquezas do individuo.
A idéia é que cada um possa fazer seu próprio Biochip, seu próprio DNI Genético, que conta com dois amplos informes, um cientifico e outro a usuário final, com sua decodificação genética baseada na seqüência de 96 genes, que representam não só a essência química de cada individuo, como também alertam de problemas, fraquezas, fortalezas e predisposições genéticas como pessoa e que são chaves para conhecer a saúde futura.
Essa tecnologia atualmente só esta ao alcance de 4-5 companhias a nível mundial e foi fruto de um enorme trabalho da equipe cientifica e medica do excepcional Dr. Lao.
Tags: biologia molecular, genética, genética e biologia molecular, iniciador, Inovação, Internet, medicina, projeto, star up
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