Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Quando a torneira abrirá?
A crise vai seguindo a evolução esperada. Ou ao menos, a eu imaginava/teia, ou seja, não sei se vão recuperando já como parece alguns países, o que sei é que por aqui não há o mínimo sintoma de melhora.
Muitos de nós estivemos pensando se chegava a crise ou não. Logo se chegava ou não ao setor das TICs e internet, logo a assumimos e tentamos por em posições defensivas com maior ou menor acerto, tentamos adivinhar como seria este momento, quando sairíamos dele, começamos a assumir que Espanha demoraria 1-2 anos mais que os demais países do mesmo entorno, vimos com respiração contida como aumentava o desemprego…em que momento estamos?

Eu penso que em terra de ninguém, estamos num momento no qual se começa a ver como países que, SIM, tomaram as medidas e fizeram seus deveres de casa como USA, Alemanha, França tocaram o chão e começam a pensar em voar outra vez. E para nós ainda falta muito.
Publicava há muitos meses um post chamado “Fechando a torneira” que acredito que era muito realista de acordo com o que pensava nesse momento. Nele, eu explicava que fechávamos os investimentos externos, que era o momento de descansar e de preparar-se para problemas, duvidas, quedas de benefícios. Nesse momento seguimos atados… Mas, quando sairemos dessa?
Ontem vendo o gráfico do IPC no qual se via que a queda começava a moderar-se e em minha percepção é que finalmente tocaremos o solo para começar a decolar em vários meses, mas que provavelmente a decolagem seja tão lenta que não recuperaremos o nível aquisitivo de 2007 até pelo menos 2011.
Eu continuo nos meus treze, talvez constrangido por uma situação na qual o que é mais lógico é re-investir e apoiar as empresas nas quais já participa em suas necessidades de capital. Não realizarei investimentos importantes em projetos de terceiros nem no que resta do ano nem muito menos no primeiro semestre de 2010, ai será o momento de pensar se é a hora ideal para voltar a valorizar opções no segundo semestre de 2010 ou já 2011.
Obviamente esta atitude pode fazer perder boas oportunidades, mas acredito que o momento é tão mal e o risco tão grande, que é o mais inteligente ou ao menos o mais sensato, perdendo o trem que se perca, para não gerar problemas maiores.
O que sigo com muita atenção é a evolução dos projetos que apresenta a AIEI, vejo em nossa reunião mensal alguns projetos muito interessantes e outros que não gosto tanto e pelos quais não apostaria. Estive tentando investir em alguma coisa esse ultimo mês, mas me encontro em ocasiões coisas que me envergonho como valorações de companhias não existentes, sem modelo de negocio valido, sem pagina web, e em definitiva sem haver começado a funcionar, nas quais os empreendedores sem pestanejar dizem que sua valoração é de cerca de 3 milhões de euros, te pedem 200, 300.000 ou 500.000 para ganhar uma mínima participação de algo que nem existe e que não investiram nem um euro e ficam tão a vontade.
É ou não é isso um bluf, uma bolha, uma piada de mau gosto?
Nesses casos, se pode esperar a que baixe o efeito gasoso e que voltem à realidade, ou simplesmente esquecer o assunto. Não gosto das pessoas que constroem castelos de naipes, yo nesses casos me esqueço do projeto, e em ocasiões do empreendedor, por mim, que aposte o seguinte.
Ainda que alguns costumam ligar mais tarde e reconhecem que sua valorização não era sustentável, que era meter um gol ridículo e que depois de tentar vender a burra estão dispostos a entrar em alguma equipe da lógica, eu já não quero estar nesse tipo de projetos que estão ou estiveram inchados artificialmente, que não se sustentam. Não estou cômodo.
Gosto dos empreendedores lógicos, sensatos, é imprescindível o talento e a seriedade em qualquer aventura e se não é, ou eu, ainda que seja erroneamente não o vejo, não quero estar na equipe, não seria coerente.
Tags: bolha, Business Angel, crise, empreender, invertir, investidor
Genolab: Internet, inovação, medicina, genética e biologia molecular
Na ultima quarta-feira estive no Iniciador, um evento que teve lugar em Madrid/Espanha, com o objetivo de reunir empreendedores para que estes possam compartir entre si, experiência e conhecimento. O Iniciador também é conhecido por suas conversas informais, onde os empreendedores presentes também abordam temas como busca de financiamento, planos de negocio, promoção de um produto, provedores de serviço e todas essas ramificações que fazem do empreendedor um profissional tão qualificado.

Aproveitei minha presença no evento para falar pela primeira vez em publico sobre um projeto no qual venho trabalhando há quase um ano, uma star up de biotecnologia e Internet, um projeto especial e muito interessante, uma vez que representa a inovação, o avanço a nível genético, as possibilidades de investigação aberta e cientifica e principalmente porque trata-se de um setor de desenvolvimento que conjuga Internet, inovação, medicina, genética e biologia molecular, nos colocando na ante sala da medicina preventiva “a la carta”, ou seja, da medicina personalizada baseada na constituição genética, fortaleza e fraquezas do individuo.
A idéia é que cada um possa fazer seu próprio Biochip, seu próprio DNI Genético, que conta com dois amplos informes, um cientifico e outro a usuário final, com sua decodificação genética baseada na seqüência de 96 genes, que representam não só a essência química de cada individuo, como também alertam de problemas, fraquezas, fortalezas e predisposições genéticas como pessoa e que são chaves para conhecer a saúde futura.
Essa tecnologia atualmente só esta ao alcance de 4-5 companhias a nível mundial e foi fruto de um enorme trabalho da equipe cientifica e medica do excepcional Dr. Lao.
Tags: biologia molecular, genética, genética e biologia molecular, iniciador, Inovação, Internet, medicina, projeto, star up
E você, é daqueles que já se renderam?
Dizem que qualquer tempo passado foi melhor… Nunca uma frase foi tão oportuna como essa.
A nível macroeconômico e vendo o que ontem previu Espanha em Fundo Monetario Internacional ( recuperação não antes de 2011 e cuidado, não dizem que chegará em 2012 e um cenário com um 19% de parados, ou seja, 1 de cada 5 pessoas), é só olhar para trás para ver que bem estávamos faz 2 ou 3 anos mais ou menos.
Esses números macro se pensarmos detalhadamente, há coisas, pequenas ou grandes que mudam sua vida e sua rotina de trabalho. Esta manhã me recordava que não faz mais de 7-8 meses recebia 20-30 Bussiness Plan de empreendedores buscando financiamento mensal.
Repassando alguns deles vejo que muitos estão no mesmo estado desde então: a grande maioria não conseguiu financiamento, uma pequena minoria sim, mas muito menos do que o esperado, e muitos poucos colocaram seu próprio projeto em andamento.
Alguns meses trás falávamos “da volta à garagem” e hoje muitos projetos que esperavam financiamento e que, acredito que alguns conseguiriam em circunstancias normais (ainda que geralmente, em menor edida que suas pretensões) estão voltando a viveiros ou incubadoras de projetos(temos que montar uma!) que era um passo que parecia esquecido ou ao menos tinha uma tendência secundaria, já que antes havia interessantes quantidades de dinheiro DIRETO para projetos Seed.

Vejo alguns empreendedores que se lançaram a piscina, que arriscaram e se enrolaram com meios rudimentares. Uma idéia romântica, mas geralmente muito complicada sem um kno apropriado e um sócio industrial. Sorte para eles.
Vejo outros que se enfiaram embaixo da proteção de um guarda-chuva de uma incubadora, com um pequeno apoio econômico geralmente se colocando a trabalhar e esperando avançar, ainda que seja pouco e que se mova o relógio em busca de tempos melhores.
Finalmente também vejo outros, alguns dos quais passaram por meu escritório e me venderam com ilusão sua idéia, e que hoje devem tê-la muito esquecida porque alguns encontraram trabalho e se esqueceram do tema ou inclusive outros, sem haver encontrado trabalho simplesmente se esqueceram.
Eu não sou ninguém para julgar essas iniciativas, cada um em sua vida deve fazer o que lhe convenha e encontrar seu próprio caminho, mas me lembra um pouco a situação vivida em plena bolha da Internet. 1 ano antes via assustado como pessoas do setor financeiro abandonava o banco em que trabalhava e montava sua startup, era um tema de dinheiro, sim, mas francamente também acredito que era um tema de moda. Todas essas pessoas – e algumas mais – saíram do setor com o estalo da bolha. Agora muitos outros estão igualmente saindo, uns por uma oportunidade mais tangível fora, outros simplesmente porque se renderam.
Porque acontece isso?
Porque muitos dos projetos que passam por minha não são intangíveis. Temos uma idéia, temos uma ilusão e a monetização “já chegará”, “será a publicidade”. O “chegará” é difícil principalmente porque não pode nem deve contar com o capital de risco, que nem sem pré funciona como nos EUA o ao norte da Europa, a publicidade não pode com tudo e na Espanha e no Brasil é ainda algo menos na Internet.
É o momento das idéias e os negócios sustentáveis. É o momento de não necessitar que te dêem 100 mil Euros para montar uma startup, penso que é um momento de seleção natural, de definir-se, mas principalmente é o momento de que haja um plano de negócios real com um objetivo econômico que permita que sua empresa se sustente por si só a médio prazo e na necessite ir a limitadas rondas de financiamento sem sentido nem final.
Eu se fosse você deixava de pensar e se inspirar como exemplo nas 20-30 idéias internacionais que sem modelo econômico real tiveram sucesso e valem dezenas de milhões de euros, isso não passará. Encontre um ponto coerente, se deve contar mais sentido que “ser o dono do mundo”, começar a montar negócios sustentáveis com possibilidades de autofinanciamento em médio prazo e estar preparados para que se a situação de falta de liquidez continue se possa sobreviver e seguir adiante.
Tags: Business Angel, Capital Risco, Empreendedores, Management, socio industrial, startups
Nem Deus vai te dar um real. E agora, quê?
Sim… sim, sei que parece cruel e duro. É possível que a alguns até pareça uma provocação, mas jogamos a real; se leva meses passeando um bussiness plan por várias empresas, vai à eventos e reuniões e encontra-se numa “divertida” situação de não receber repostas claras; nem “sim” nem “não”…pensa se deve também aplicar o titulo desse post.
Se encontra-se nessa situação, ou prevê estar nos próximos meses porque tem uma idéia ou um projeto que quer desenvolver: Houston; temos um problema. E a solução passa por aceitar o momento e se adaptar; não dar cabeçadas na parede, que além de doer, cansa.
O dinheiro é covarde e a situação é difícil. O cenário mudou e estará muito mais caro conseguir dinheiro. Podíamos meter o pau na economia, no governo, nos bancos, nos inversores…mas francamente não te ajuda muito. É o momento de valorar friamente o que podemos fazer, porém alem de frios devemos ser principalmente práticos.
Para quem o momento é bom?
Em minha opinião para os de cima e para os de baixo, a grande zona média – a maior de nosso tecido empresarial, tecnológico e empreendedor – é a mais afetada. Muito graficamente eu diria que os bons projetos não deveriam ter problemas de financiamento para crescer e resistir, possivelmente consigam menos fundos do que se espera, mas não deveriam ter problemas com maiúsculas. Há pouco dinheiro e o dinheiro se faz tremendamente seletivo.
Os grandes projetos de tecnologia com modelos validados, números emergentes e certo êxito vão adiante. Os projetos de tipo médio terão que demonstrar que podem crescer e resistir sem fundos, que há engenho e que está “a ponto de dar certo”, se não for assim não haverá dinheiro para essa grande zona media.
Em nível de startups creio que estamos voltando a um cenário de 10 anos atrás. Vejo muito esses dias de “não me conte o que quer fazer, dá os primeiros passos e me ensina”. Nesse momento é mais importante que nunca demonstrar que você é empreendedor e por em funcionamento, com seus meios, e cada um ao seu nível seu modelo de negócio, seu portal ou plataforma tecnológico em funcionamento sustentável. Sinceramente, isso não me parece mal, me parece seletivo; o papel volta ao papel e tem mais valor que veja o que esta fazendo, do que ver o que me diz que poderia fazer.
Um pdf ou um bussiness plan são o que são, puro papel, no se centre nisso somente; mova-se de alguma maneira e rápido. Estamos num período de 1, 2 ou 3 anos (pessoalmente creio que será largo), se sentar e esperar o Papai Noel; não avançará e ficará para trás. Adapte-se ao meio.
Nesse cenário os empreendedores e os inversores com os que estou falando constantemente diria que estão divididos em vários grupos, seria algo assim:
Os “amentirados” (caça-pechincha):
É a sensação de que o tempo corre a favor. Não há pressa, amanhã minha inversão dará muito mais do que hoje. Ontem me diz um 20%, amanhã me oferecerá um 30% e se não, não entro.
Os afetados pela crise:
Esse ano não invisto e saio de férias, ou diretamente me centro em 1-2 inversões seguras reduzindo minha atividade um 90%.
Os mais seniors:
Geralmente tem xx inversões em startups e vêem um ano para ir à segundas rodadas de suas melhores inversões, mas em nenhum caso para ir a novas aventuras. Muitos deles sorriem diante da situação, estavam aqui quando houve uma crise tremenda em 2000-2002 dentro do setor das TICs, não os pega de surpresa e sei que costumam tomar um certo otimismo ou ao menos com mais filosófico “isso não e uma crise;…aquilo sim foi uma crise…”.
Alguns esperam talvez a grande oportunidade de entrar a um preço razoável em companhias já formadas que lhes escaparam na primeira rodada, diante do cerre global do financiamento.
O empreendedor-inversor:
Investir em terceiros? Os fundos nesse momento estão par cobrir as necessidades das minhas companhias; inadimplência, queda de preços de publicidade, perdas de clientes, etc. É quase mais fácil –se há liquidez a médio prazo – pensar em adquirir companhias do meu entorno para melhorar minha posição do que inverter em startups. Para entrar em novas aventuras não me peça dinheiro demais em cash, entro se bem valorada minha contribuição industrial, me peça pouco dinheiro que agora mesmo eu não arrisco (se é que tenho).

Mas, e o empreendedor?
Creio que é momento de tomar decisões. Conheço ao menos uma dezena de empreendedores que numa situação de mercado de 1 ano e meio atrás teriam conseguido suas necessidades iniciais de capital entre 100.000-3000.000€. Agora não acredito que o consigam facilmente.
Vejo nesse ponto varias opções.
A primeira ACEITÁ-LO relativamente rápido, não perca o tempo pensando e dando voltas a coisas macro que não esta em suas mãos solucionar; se lamentar não te aproxima do êxito na sua empresa; procura não se queimar e não perder tempo perambulando por ai sem sentido.
Decida se é o momento de se jogar na piscina, de realizar você essa primeira inversão inicial e por o negócio em andamento esperando que passem 10-12 meses, situação tenha melhorado e você se colocou como um dos primeiros da lista quando se abra a torneira.
Outra opção é optar pelo guarda-chuva de um grande grupo; buscar um sócio industrial, que te permita crescer, por para funcionar e minimizar custos. Esta pode ser uma boa solução inicial de guerra.
Mas também pode ver que se sua situação pessoal (gastos, financiamento habitacional se a possui, etc.) não te permite, que talvez – e não é uma derrota, é tão digna como as outras soluções – é o momento de dobrar as asas, adaptar-se e estacionar uns anos a idéia de empreender. Igualmente, se não encontra financiamento é momento de ser conservador já que o desemprego no setor ainda não se disparou como no resto da sociedade e de buscar ou seguir com seu trabalho atual. Se fizer isso, aproveitara o tempo para amadurecer seu conceito, sua idéia e seu projeto. Tem um ano, talvez dois ou mais pela frente perfeitos para ganhar experiência e se formar.
Ser conservador, com a chuva que cai fora, não e muito menos uma derrota e me parece uma opção realista e válida como qualquer outra.
Tags: Business Angel, Capital Risco, crise, Emprendedores, inversao, socios industriais, startups
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