Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
O que menos gostei em 2008
Já faz uns dias em que aproveitava para comentar as coisas que mais gostei no setor das TICs em 2008 e não queria deixar passar a oportunidade de recordar também as coisas que menos gostei ou ao menos que chamaram minha atenção negativamente.
A evolução da publicidade online:
Pessoalmente acredito que demonstrou sintomas de fraqueza, todos esperávamos um ano melhor, ainda que siga confiando que é o futuro que mais alegrias nos trará, me dá medo ver como sempre em diversas publicações, blogs, estudos, aparecemos no setor olhando para nosso umbigo e aproveitando do nosso ratio de crescimento setorial do 1x.xx e comentando o estancamento e incluso descenso da publicidade nos meios convencionais, especialmente a tradicional comparação com a imprensa escrita diários e revistas.
Sempre me imagino por detrás dessas noticias com as quais estufamos o peito ao diretor de uma revista com um sorriso amarelo sabendo que seus ratios de ingresso por leitor e seus números absolutos estão ai ao menos uma dezena de anos adiante dos de uma revista especializada do seu mesmo setor online. Levamos 10 anos dizendo “que quase estamos”. Avançamos sim, mas a anos-luz.
Telefônica
Ontem mencionava à vocês como parte do melhor por retornar ao mundo online. Acredito também que teem sua pior parte em lançar um produto tão artificial como Keteke, e por tentar entrar na Web 2.0, como um elefante numa loja de cristais. Acredito que a fizeram bastante ruim, mas também, e sem ânimo de revelar nenhum off the record, creio que já sabem, e que o que define estratégia de verdade, com maiúsculas, tomaram nota e estão aprendendo.
Orange, Vodafone e outras ervas:
Franceses e Ingleses crêem que estão na Espanha como Júlio Cesar “Veni, vidi, vici”. Tem licença de telefonia que foi uma autêntica pechincha. Além de levar tudo quentinho deveriam ter a obrigação moral de reinvestir (incluso por egoísmo próprio) no país. Claro que isso nem passa pela cabeça. Se essas empresas sendo a “cabeça de leão”, não o fazem quem poderá fazer? Sua absoluta inoperância faz bons os tímidos esforços de telefônica por voltarem ao mundo real.
Yahoo
Sim, porque Yahoo – aparentemente – existe na Espanha. Realmente lembro-me que quase pude por fim ver um dos seus representantes, David Losada, o qual por diversos motivos tinha vontade de escutar em Madrid. E embora madrugasse para vê-lo não foi possível já que no Fórum de Internet, cancelaram sem prévio aviso sua conversa por “ordens da companhia”. Teria sido bonito não madrugar aquele domingo se soubesse, mas C´est La Vie. Não gosto da inoperância de Yahoo e seu mínimo aporte ao mercado local. Gostei da Yahoo! Music e como evoluiu em 2008, o resto dos seus produtos e aportes em minha opinião, todos japoneses.
Os gurus e falsos messias
Pouco posso dizer. Só que sou uma pessoa que comete erros, e continuarei sendo, mas me orgulho de fazê-lo tomando minhas próprias decisões. Leio algum blog desde que a arquibancada tenta mais ou menos acertar, com mais ou menos qualidade literária e intelectual prescrever o bom e o mal, o que é cool e o que é bluff. Acredito que precisamos fugir disso. É bonito que haja debate e não estejamos de acordo, mas não creio na prescrição do caminho fácil, nem em populismo barato. Não quero ninguém que pense por mim e não quero receber aulas destes púlpitos teóricos e em ocasiões com interesses pessoais. Não quero ser preceptor, nem que ninguém acredite que possa ser comigo.
A Sociedade Geral de Autores e Editores (SGAE) e as leis a medida
Não sou um loco anti SGAE, simplesmente não gosto deles assim como não gosto do seu conjunto de normas, mas não entrego minha vida a essa causa. Com toda franqueza não é meu Leitmotiv. Só sei que é digno de estudo como umas siglas S-G-A-E conseguiram algo que é um marco ma história dos disparates, ser a marca mais odiada da Espanha mais do que da tradicional posição ocupada pela Fazenda. O mundo não se equivoca, o povo dá o que recebe, nesse caso merecido ódio.
Alguns anunciantes
Isso daria para escrever um post completo, e de fato farei um dia. É digno de estudo o caso de alguns anunciantes que querem aproveitar a crise para apertar parafusos e te pisar na cabeça de forma mais intensa, com uma prepotência muito do estilo “o rei da selva”. 2 dos dias que mais satisfeito fui para minha casa neste ano foi quando neguei para Ócio Networks 2 campanhas, uma semestral e outra anual, que apesar de suas cifras globais interessantes e levar as apalavrando por meses, tentavam aproveitar até os limites do incrível abuso a falta de anunciantes do setor e o feito de fechar acordos anuais. Não darei nomes… Pelo menos não agora, ainda que deveria se escrevo algo extenso sobre o assunto…mas são 2 companhias que possuem muita presença online como anunciantes diretos e que mudaram acordos apalavrados tentando reduzir pela mesma cobertura orçamentos ao ridículo (incluso 70-80%), e tentavam te pressionar de uma maneira pouco ética, roçando a ganância. O pior de tudo, é que ao final conseguem ter presença a preços que roçam o disparate. Uma pena.
Google Inc:
Esses garotos se felicitam dizendo que a Espanha é um país onde possuem 96% da quota do mercado, a quota mais alta de penetração que tem a nível mundial. Como o celebram? Cobrando aos anunciantes em Euros e pagando em dólares, apesar de haverem se comprometido publicamente alguns do seus representantes em vários fóruns, que esse agravo deixaria de ser assim em breve.
Creio que Espanha em números absolutos e relativos aporta às contas de Google Inc. quantidades que dariam para algo mais que ter um escritório comercial no país. Acredito que tem a obrigação de devolver parte do seu êxito reinvestindo no pais. Havia boatos durante meses que abririam um centro de investigação em Valencia, assim como em Tel Aviv (Israel), Zurich (Suiça), Trondheim (Noruega), Amsterdan (Holanda) ou Londres e entre muitas outras cidades. Temo que isso não deixou de ser boato, espero estar errado e engolir minhas palavras a esse respeito em 2009.
Lideres mundiais? Bom, espero deles algo mais que um comercial Adwords me convidando a cafés – da- manha de trabalho e insistindo se vou ou não gastar em media 3.000€ mensais durante 2009.
Os bancos, ainda de campo e praia
Os bancos espanhóis, que podem apoiar a iniciativa mais surrealista com 20 milhões de Euros, mas que a um empreendedor por norma negaram 200.000 para um projeto que necessita apoio. Deixaria à margem a 2 entidades segundo meu ponto de vista, não sei se alguém gostaria de adicionar alguma mais, mas em minha opinião só La Caixa e CAN se salvariam da fogueira.
Lamento profundamente que uma entidade na minha cidade, com mais que suficiente potência econômica, como é Caja Madrid, não esteja e nem se possa esperar. Que aconteceria se Caja Madrid destinasse parte dos seus enormes fundos a empréstimos participativos como faz a CAN em empresas TICs? Escutar da boca dos altos cargos de Caja Madrid a resposta a essa pergunta, e como ninguém no setor e suas possibilidades, simplesmente é decepcionante. Talvez agora terminasse a época “viva o financiamento habitacional” chegou o momento em que deveriam olhar e apostar pela gente jovem, com idéias e num setor de futuro.
Do banco Santander, só direi que temo que continuem vivendo (que tempos aqueles!) na época da “Poupança Azul”.
Merda; é possível que hoje não tenha feito muitos amigos.
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