Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Onde esta a universidade? (no apoio ao empreendedor)
Vendo exemplos americanos especialmente, mas também franceses, ingleses, japoneses e dos países nórdicos, esta manha me perguntava a mim mesmo onde esta na Espanha e obviamente no Brasil, a universidade n campo de alentar empreendedores e ser a fabrica de negócios de novas tecnologias. De lhes empurrar, lhes formar, encontrar sócias industriais que apóiem e validem o projeto.
Numa agradável conversa outro dia com Raul Mata de Factoria de Ideais, ele me comentava algumas iniciativas da Universidade Politécnica para alentar empreendedores e ser uma verdadeira incubadora que valida projetos de investigação e tecnologia. A idéia me parece apaixonante. Mas claro que estarmos nesse ponto em 2009 me resulta chamativo.
Não acredito que exista melhor universidade que aquela que possa levar projetos adiante, melhor formação que a de construir realidade nenhuma. Podemos gerar alunos em melhor ou pior medida, mas também poderíamos tirar das universidades (que para essas coisas sim tem meios suficientes) fornadas de empreendedores e projetos que nasçam na universidade, ali se rodem e se validem e os que vão saindo diante e sejam inteligentes contem com o apoio interno de contato com sócios industriais, Bussiness Angels, empresas do setor, com acesso a financiamento, e a investidores, mas também com envolvimento de pessoas relacionadas com o mundo universitário que serve como filtro e validação das idéias.

A mim, se me chega um projeto de tecnologia interessante, visado por uma universidade espanhola de prestigio, com recorrido dentro dela, e havendo passado filtros sérios e saindo adiante com vistos de viabilidade, isso me animaria mais a apóie-lo e investir.
Sim, sei que agora alguém me enviará por email exemplos de universidade que” investem”, “apóiam” “atuam como viveiros” , etc. Mas falemos em sério, não de orçamentos que costumam acabar onde sempre, falemos de criar empresas de verdade. É viável que dentro da Universidade exista projetos que cresçam apoiados desde a faculdade como viveiro e saiam dela? Conhecem algum caso?
Algum Bussiness Angel participa com alguma universidade publica ou privada nessa segunda fase apoiando e avaliando os projetos dela? Algum exemplo de projeto de Internet e tecnologia que triunfou saindo de uma universidade? Cuidado, eu não me refiro criado por universitários, mas sim nascendo desde a mesma universidade como guarda-chuva de apoio.
Empreendedores na universidade vêm possível e buscam apoio para iniciativas empresarias embrionárias dentro dela? O acabam mandando embora alternativas à margem desta?
Há poucos casos ou estou perdendo algo? Se o novo Google não tivesse administrado nas aulas de Stanford, mas sim nas de USP alguém apoiaria? Ou haveria sido um estâse mais de uns estudantes que termina em nada.
Ultimamente estou de saco cheio de ver Bussiness Plans. Nenhum foi remetido a mim direta ou indiretamente por uma universidade. Nenhum dos que me chegaram por outras vias nunca contaram com o apoio ou esteve visado por uma universidade publica nem particular. Podemos nos limitar a ir a Universidade quando nos convidam a dar uma palestra, o que o tema de verdade seja proativo e bidirecional como deveria.
Ao meu entender, aqui, há algo que falha.
Tags: Empreendedores, Empresas, Iniciativas, Investimentos, Off Topic
Olho por Olho, dente por…
A delicada situação econômica que vivemos, me faz “desfrutar” de certos movimentos empresarias. Sim, digo desfrutar e sei que chia e que soa mal nessa momento, mas é como haver passado de um partido de futebol chato de 0-0, onde poucos dos estabelecidos arriscam, a um partido rápido de basquete onde passam coisas a cada poucos minutos.
Há uma nova geração em postos diretivos de multinacionais, que não concebem esse cenário faz um ano, que não tem a experiência de haver passado por uma situação mcro-econômica tão complexa com anterioridade (que simpáticos!…talvez não deveríamos haver aposentado a uns anos atrás aos maiores de 50 anos, verdade? É possível que muitos de aqueles diretivos que se foram a casa hoje pudessem aportar algo necessário: experiência em gestão de crise).
Essa mistura de nervos, preocupação, e falta de experiência contrastada está fazendo que todas as grandes empresas, geralmente conservadoras tentando crescer principalmente no perder sua quota de mercado, tenham que passar a um plano B que não tinham escrito e sejam obrigados a “fazer algo”. E estão fazendo já muitas delas e as que não, estudam a fazer nos próximos meses.
Para os que como eu, desfrutam analisando os movimentos empresariais e as ações de marketing e publicidade, isso é entretido de certa forma, e dará para que dentro de 3-5 anos se escrevam muitos livros falando de grandes acertos e grandes erros nesses momentos.
Como consumidores é um momento tão especial que todos devemos prestar atenção ao que nossas marcas de referencia fazem, mas principalmente, como consumidores temos que tomar nota e atuar em conseqüência.
“Olho por olho, e dente por dente”, em outras palavras lex talionios ou seja, a lei do talião. Acredito que não está bem visto aplicá-la e que em público fica mais bonito dizer que o fim não justifica os meios e bla bla bla, e não querendo ser radical mas…que vamos fazer, a mim me pedem o corpo, creio que os consumidores deveriam por cruzes nesses momentos determinadas empresas.
Gosto do que fez Iberia, com seu anuncio de apertar os cintos e sua mensagem “estamos com você, abaixamos o preço para que você possa viajar”. Conseguiram gerar um consumo inexistente (muito mérito!), muita gente à minha volta conseguiram vôos a Paris, Londres, NYC a preços de dar risada. Consta-me que a ação foi um enorme êxito e superou suas previsões.
Chamou-me a atenção a ação de Mercadona, valente, mas com claros-escuros. Atreveram-se a expulsar a pulso a grandes marcas retirando os produtos daquelas que não eram lideres do setor de indiscutíveis para dar mais peso a marcas brancas e produtos mais econômicos com o objetivo de que a experiência de compra seja mais barata. A mensagem é clara “consumidor, estamos com você, não com as marcas”.
Este movimento, hábil sobre o papel também aborreceram os usuários que não encontram em Mercadona suas marcas habituais e não querem mudar, e chegaram a ter momentos ridículos como que no pais por antonomásia do ouro liquido, azeite de oliva fabricado na África, sem indicar a procedência. Graças a uma diretiva européia se acaba essa “facilidade” e haverá que detalhar nas etiquetas o pais de procedência do azeite (veremos por quanto venderão “Made in Turquia” agora, queridos).
Muitas marcas, como Danone, me deixam algo gelado com sua postura. Seu medo das marcas brancas acreditando que o consumo se mover até ali lhes fez variar sua comunicação para deixar claro que “não fabricamos para outras marcas”. Não gostei desse movimento, me parece soberbo, me soa a um “estão ferrados, se querem o yogurte dos bifidus, o compra aqui, não creia que os outros são iguais, que não são nossos”. Não gosto disso, parece que é um momento para dizer ao consumidor em primeira pessoa que está com ele, que compreende o momento e que siga confiando na marca, não para advertências. “Que não passe por sua cabeça nos por os chifres que não é o mesmo”. (A propósito, não sofra pelo famoso bifidus ativo, não vale a pena, assim que compre o que te der vontade).
Carrefour por exemplo, (se os franceses tivessem feito o azeite do Mercadona, retirar quase todos e deixar o africano sem avisar na etiqueta… possivelmente nos teríamos metido num rolo a pedradas com seus luminosos), tiveram um movimento intrépido. Lastima que a campanha de publicidade na TV roce o patético, mas a comunicação com a imprensa foi bastante boa. Anunciaram a maior liquidação permanente de preços da historia, que pena que para TV não esteja seriamente comunicado.
Defraudou-me um pouco a Coca-Cola, esperava alguma medida, algum anuncio: ALGO: Fez um anúncio muito bonito como sempre, porém me deixa um pouco gelado porque esperava deles o melhor, e fiquei com a sensação de que não dizem nada. Fizeram um anuncio maravilhoso mas que não era seu momento e que diz o básico e sai de fininho pela situação. O presidente da Coca-Cola diz que “Querem dar um toque de otimismo”, e eu lhe perguntaria “e que aportam vocês a esse otimismo? Nos contam um bonito conto cuja moral é que não fazem nada pelo consumidor.

Se de todas as marcas tivesse que ficar com uma que me impactou, o premio seria de Vodafone. Acredito que estão loucos, demonstraram para que estão na Espanha, sem mais. Foi realmente patético ver que como caíram os resultados do grupo na Espanha, nesses momentos em vez de ajudar o consumidor anunciam que para “compensá-lo sobem suas tarifas em três centavos de Euro/minuto. Em alguns planos de contrato sobem 25% as chamadas a outros operadores. Essa decisão, que parece tomada por um diretivo em Londres ao que a filial na Espanha e nada é o mesmo, e ao que não se dá bem com o Excel, creio que lhes custara caríssima já que estabeleceram uma relação entre a medida e a queda dos benefícios maior que os de Telefônica que caíram 2,6% e os de Vodafone um 5,8% na Espanha, a pachorra de subir os preços. Ë possível que eu não seja o cliente tipo, e as pessoas não tomem tão a peito, mas eu dei de baixa das linhas de Vodafone, e será o único operador com o que jamais terei linhas. E não é pelos três centavos/minuto, é pela falta de sensibilidade e má leitura de uma situação. Vodafone é a única marca a que tenho vetada mentalmente no sucessivo.
(bom, e a Pepsi, mas é que estou totalmente viciado na Coca-Cola light)
Tags: carrefour, coca cola, crise, Empresas, garrafone, gestao, Iberia, mercadona, Telefônica, vodafone
Bendito Fracasso
Fazemos parte de uma sociedade na qual o fracasso é algo muito negativo, possivelmente negativo demais e, pessoalmente acredito que devemos relativizar o fracasso empreendedor.
Por minha experiência o fracasso (num projeto, numa empresa, num cargo…) não tem porque ser necessariamente negativo, mais que isso, em certas ocasiões tão necessário como positivo.
Os empreendedores mais jovens na Espanha diante ao fracasso acabam tomando dois caminhos diferentes, uns seguem tentando, outros procuram trabalho e esquecem-se da idéia romântica de empreender.
Penso que nenhuma dessas 2 opções é má, a chave é saber qual delas está de acordo com seu tempo vital, sua posição, seu perfil. Não ser um bom empreendedor não é ruim, há pessoas que operativamente têm perfil para trabalhar em uma grande corporação, para dirigir equipes e levar a cabo cargos de responsabilidades e isso é muito positivo. Há pessoas que não têm vocação para ser assalariado e querem empreender a todo custo. Ambos os casos são bons, a chave é que conheça a si mesmo, que veja suas possibilidades e escolha seu caminho e uma vez escolhido, tente ser bom e se possível o melhor na sua área.
Num ambiente de empreendedores, muitas vezes se impulsa ao fracasso pessoas que tendo brilhantes carreiras e trabalhos, não tinham esse perfil, essa vocação de empreender e em vista de seu êxito para terceiros foram em ocasiões forçados a empreender abandonando uma carreira de êxito e dirigindo-se a um fracasso. O caso mais recente o vi em um diretor de um jornal, que, sendo jornalista de prestigio terminou controlando e gerenciando uma enorme corporação a qual pertencia mas não compreendia. Simplesmente queria voltar a escrever e deixar essas responsabilidades, mas sentia-se moralmente atado pelo agradecimento dos que o nomearam e pelo fracasso de regressar ao seu lugar natural.

O fracasso na Espanha não se vende, os fracassados são sociamente excluídos e isso choca com outras concepções do fracasso em outras culturas. Nos EUA, por exemplo, quando um jovem empreendedor necessita capital, o ato de apresentar um par de fracassos prévios é um sinal positivo. Logicamente ninguém quer viver no fracasso, mas o fracasso como experiência e ponto de inflexão é positivo. Um bom amigo e ótima pessoa, Bussines Angel Miami, dos que invertem em USA e América Latina até 7 cifras, me comentou faz alguns dias por telefone como o fracasso se já se converteu em um requisito a mais em momentos de dificuldade econômica como os atuais. “Deixarei meu dinheiros em suas mãos?” Administrou quantidades assim alguma vez? Alguma vez nadou contra a corrente?” Estou rotundamente de acordo com esse pensamento. Sempre ficarei mais tranqüilo se o empreendedor fracassou previamente em alguma iniciativa, mas que viveu a experiência e aprendeu com ela, e de certa forma esse fracasso será o pilar sobre o qual construirá um êxito. Não cabe nenhuma dúvida de que se passou e viveu dificuldades, se estas aparecerem novamente, não te encontraram desprevenidos, saberá exatamente aonde errou e estará mais preparado para afrontá-las do que pessoas que não viveram um fracasso.
Há algo disso nos EUA implícito, no tópico do Self Made Man, o homem feito a si mesmo. Na cultura anglo-saxônica, o fracasso não é premiado, entretanto é tolerado como parte do sistema e o que fracassa não é condenado à perpetuidade.
Outras culturas, como a japonesa, por exemplo, não somente não entende o êxito sem o fracasso, como que de certo modo não o vê com bons olhos, considera até certo modo “um golpe de fortuna” chegar diretamente ao sucesso sem um fracasso anterior. É moralmente um ponto de inflexão necessário.
A margem das diferenças culturais, eu sempre te animarei a empreender e tentar uma segunda e terceira vez a perseguir seu sonho, criar uma empresa e alcançar seus objetivos, e agora mais que nunca já que vivemos um momento especial, onde as novas tecnologias como veiculo facilitam essa figura de empreendedor, algo que é muito mais complicado em outros setores, como por exemplo, a indústria, a empresa tradicional, etc. Porém também acredito que se deve saber quando parar. Se você leva anos empreendendo e acumulando fracassos, também deverá pensar que “talvez não seja para você” e isso não é negativo, é chave conhecer-se bem, encontrar o espaço que existe na sociedade para você e dentro dele desenvolver-se na medida das suas possibilidades, sempre com ambição e esforço.
O problema do fracasso é quando não se aceita, não o reconhece internamente e não ultrapassa a linha – as vezes dura – necessária para poder aprender dele. Empreender e fracassar são experiências, o fracasso real é não se atrever a tentar chegar aonde uma vez sonhou que chegaria.
Mario Dehter, única pessoa que viu esse post antes de sua publicação (e acredito que foi a primeira vez que mostrei algum antes de colocá-lo online) e que há pouco tempo escreveu um post sobre o fracasso, me recalca acertadamente dizendo que “o fracasso é parte do maravilhoso ato de viver com êxito”.
Geralmente ao falar de nós mesmos tendemos a minimizar e em certo modo justificar nossos fracassos em um trabalho, num empreendimento, no nosso currículo. Muita gente os relativiza em um resumo rápido ou os menciona ao resumir sua trajetória com uma frase transcendente ou os típicos “não era o momento”, “as circunstâncias não eram propícias”, “tivemos azar”… a realidade é que eu, se olho para trás, vejo que aprendi muito mais dos meus fracassos do que dos meus – poucos – êxitos e acredito que foi momentos ruins que defini meu perfil como empreendedor e como empresário, e em definitiva e o mais importante, como pessoa.
Tags: empreender, Empresas, fracasso, líderes, medo ao fracasso
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