Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Nem Deus vai te dar um real. E agora, quê?
Sim… sim, sei que parece cruel e duro. É possível que a alguns até pareça uma provocação, mas jogamos a real; se leva meses passeando um bussiness plan por várias empresas, vai à eventos e reuniões e encontra-se numa “divertida” situação de não receber repostas claras; nem “sim” nem “não”…pensa se deve também aplicar o titulo desse post.
Se encontra-se nessa situação, ou prevê estar nos próximos meses porque tem uma idéia ou um projeto que quer desenvolver: Houston; temos um problema. E a solução passa por aceitar o momento e se adaptar; não dar cabeçadas na parede, que além de doer, cansa.
O dinheiro é covarde e a situação é difícil. O cenário mudou e estará muito mais caro conseguir dinheiro. Podíamos meter o pau na economia, no governo, nos bancos, nos inversores…mas francamente não te ajuda muito. É o momento de valorar friamente o que podemos fazer, porém alem de frios devemos ser principalmente práticos.
Para quem o momento é bom?
Em minha opinião para os de cima e para os de baixo, a grande zona média – a maior de nosso tecido empresarial, tecnológico e empreendedor – é a mais afetada. Muito graficamente eu diria que os bons projetos não deveriam ter problemas de financiamento para crescer e resistir, possivelmente consigam menos fundos do que se espera, mas não deveriam ter problemas com maiúsculas. Há pouco dinheiro e o dinheiro se faz tremendamente seletivo.
Os grandes projetos de tecnologia com modelos validados, números emergentes e certo êxito vão adiante. Os projetos de tipo médio terão que demonstrar que podem crescer e resistir sem fundos, que há engenho e que está “a ponto de dar certo”, se não for assim não haverá dinheiro para essa grande zona media.
Em nível de startups creio que estamos voltando a um cenário de 10 anos atrás. Vejo muito esses dias de “não me conte o que quer fazer, dá os primeiros passos e me ensina”. Nesse momento é mais importante que nunca demonstrar que você é empreendedor e por em funcionamento, com seus meios, e cada um ao seu nível seu modelo de negócio, seu portal ou plataforma tecnológico em funcionamento sustentável. Sinceramente, isso não me parece mal, me parece seletivo; o papel volta ao papel e tem mais valor que veja o que esta fazendo, do que ver o que me diz que poderia fazer.
Um pdf ou um bussiness plan são o que são, puro papel, no se centre nisso somente; mova-se de alguma maneira e rápido. Estamos num período de 1, 2 ou 3 anos (pessoalmente creio que será largo), se sentar e esperar o Papai Noel; não avançará e ficará para trás. Adapte-se ao meio.
Nesse cenário os empreendedores e os inversores com os que estou falando constantemente diria que estão divididos em vários grupos, seria algo assim:
Os “amentirados” (caça-pechincha):
É a sensação de que o tempo corre a favor. Não há pressa, amanhã minha inversão dará muito mais do que hoje. Ontem me diz um 20%, amanhã me oferecerá um 30% e se não, não entro.
Os afetados pela crise:
Esse ano não invisto e saio de férias, ou diretamente me centro em 1-2 inversões seguras reduzindo minha atividade um 90%.
Os mais seniors:
Geralmente tem xx inversões em startups e vêem um ano para ir à segundas rodadas de suas melhores inversões, mas em nenhum caso para ir a novas aventuras. Muitos deles sorriem diante da situação, estavam aqui quando houve uma crise tremenda em 2000-2002 dentro do setor das TICs, não os pega de surpresa e sei que costumam tomar um certo otimismo ou ao menos com mais filosófico “isso não e uma crise;…aquilo sim foi uma crise…”.
Alguns esperam talvez a grande oportunidade de entrar a um preço razoável em companhias já formadas que lhes escaparam na primeira rodada, diante do cerre global do financiamento.
O empreendedor-inversor:
Investir em terceiros? Os fundos nesse momento estão par cobrir as necessidades das minhas companhias; inadimplência, queda de preços de publicidade, perdas de clientes, etc. É quase mais fácil –se há liquidez a médio prazo – pensar em adquirir companhias do meu entorno para melhorar minha posição do que inverter em startups. Para entrar em novas aventuras não me peça dinheiro demais em cash, entro se bem valorada minha contribuição industrial, me peça pouco dinheiro que agora mesmo eu não arrisco (se é que tenho).

Mas, e o empreendedor?
Creio que é momento de tomar decisões. Conheço ao menos uma dezena de empreendedores que numa situação de mercado de 1 ano e meio atrás teriam conseguido suas necessidades iniciais de capital entre 100.000-3000.000€. Agora não acredito que o consigam facilmente.
Vejo nesse ponto varias opções.
A primeira ACEITÁ-LO relativamente rápido, não perca o tempo pensando e dando voltas a coisas macro que não esta em suas mãos solucionar; se lamentar não te aproxima do êxito na sua empresa; procura não se queimar e não perder tempo perambulando por ai sem sentido.
Decida se é o momento de se jogar na piscina, de realizar você essa primeira inversão inicial e por o negócio em andamento esperando que passem 10-12 meses, situação tenha melhorado e você se colocou como um dos primeiros da lista quando se abra a torneira.
Outra opção é optar pelo guarda-chuva de um grande grupo; buscar um sócio industrial, que te permita crescer, por para funcionar e minimizar custos. Esta pode ser uma boa solução inicial de guerra.
Mas também pode ver que se sua situação pessoal (gastos, financiamento habitacional se a possui, etc.) não te permite, que talvez – e não é uma derrota, é tão digna como as outras soluções – é o momento de dobrar as asas, adaptar-se e estacionar uns anos a idéia de empreender. Igualmente, se não encontra financiamento é momento de ser conservador já que o desemprego no setor ainda não se disparou como no resto da sociedade e de buscar ou seguir com seu trabalho atual. Se fizer isso, aproveitara o tempo para amadurecer seu conceito, sua idéia e seu projeto. Tem um ano, talvez dois ou mais pela frente perfeitos para ganhar experiência e se formar.
Ser conservador, com a chuva que cai fora, não e muito menos uma derrota e me parece uma opção realista e válida como qualquer outra.
Tags: Business Angel, Capital Risco, crise, Emprendedores, inversao, socios industriais, startups
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