Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
A outra cara da moeda
Esse texto é uma tribuna publicada no jornal espanhol Diario de Levante.
Faz alguns dias que a popular marca de roupa norte-americana GAP decidiu mudar seu logotipo com o objetivo de dar um toque de sofisticação à empresa, variando a forma das letras e o cor do fundo. Essa mudança foi anunciada no site da marca e na pagina que possui no Facebook, onde tem mais de 7254 mil faz e recebeu 1.080 comentários contrários a essa medida. No Twitter ocorreu praticamente o mesmo e foi objeto de debate durante muito tempo.
Diante dessa campanha de protestos sem precedentes, a marca convidou seus faz a enviar novas propostas de desenhos de logo para, entre todos conseguir uma melhor imagem. Mas, estes tinham bastante claro que queriam o logo antigo, o que leva nas lojas mais de 20 anos. Finalmente e depois de uma semana de frenético debate na rede, a marca voltou a versão clássica do seu logo, não sem antes prometer aos seus seguidores que para as próximas atuações aprenderão dos seus erros.
Todas essas reações fazem suspeitar que se trate de uma campanha de marketing orquestrada pela própria empresa. Sendo assim, deveríamos dar os parabéns ao inventor da estratégia, pois a marca esteve na oca de milhares de pessoas em questão de uma semana.

Tal é o poder que exercem as redes sociais de forma instantânea na emissão de opiniões que são capazes de conseguir que uma empresa de roupa retifique uma decisão que implica uma renovação de imagem, assim como uma inversão na inovação da própria marca. Se todas as opiniões emitidas através da rede sobre o produto ou marca fossem levadas em conta pelos diretores e empresários estaríamos diante de uma nova forma de controle de mercado das mãos do próprio usuário.
Se continuarmos assim, a demanda de um produto que receba através de internet não se conhecerá pelo volume de vendas, mas sim pelo numero de comentários que receba através de internet, inclusive antes de levá-lo ao mercado. E isso sim é um problema.
Os usuários das redes projetam seu desejo de converter suas marcas preferidas num bem de propriedade, elevando diante delas quando adotam decisões inovadoras e aproveitando que existe carta branca no uso dos comentários. A marca deve ser aceita pelo usuário como o que é: um serviço ou produto que oferece uma companhia que é propriedade de outros, não do usuário.
As redes sociais devem ser uma ferramenta, um ponto de apoio para as marcas, uma ajuda orientada a melhorar o produto, mas nunca uma obrigação, pois isso indicaria uma perda total da identidade da marca.
Até agora as companhias utilizaram as redes sociais como sistema publicitário, um intercambio de informação imediata entre usuário e companhia, muito útil para ambos, mas não tinham contemplado a possibilidade de que existia outra cara na moeda.
Tags: campanha de marketing gap, logo gap, Marketing, redes sociais publicidade, redes socias
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