Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Merda! Era em L
Era o ano de 2007 e muitos já pensávamos que as coisas iam ser difíceis. Os mais “progressistas da classe” acreditavam que éramos uns agoureiros e que não chegaria o sangue ao rio. Lamentavelmente se equivocaram e o resto já é outra historia.
Passaram meses e chegamos ao 2008. As conversações de bar, nos blogs, na rua em definita já não duvidava sobre se haveria ou não crise, mas sim valorizavam como ela seria. Com um desenho em “V” diziam os otimistas, em “U” ou em “L”, o desenho mais temido, que acaba em uma larga recessão antes da saída. Não sou adivinho e nunca imaginei como poderia ser. Nesses anos tive sentimentos encontrados. Tive momentos em que pensei que tínhamos chegado ao fundo do poço e que tudo já melhorava, ainda que fosse pouco a pouco e semanas ou meses depois parecia que o poço não tinha fundo e seguíamos indo para baixo.

Nos últimos meses parecia que tudo ia melhor, e me recordei de um velho post que publiquei já faz um tempo “Fechando a torneira”. Pensei que tinha que passar pagina voltar a investir em projetos de terceiros e a correr alguns riscos. Isso me levou a investir em 3 projetos de internet, uma biotecnologia, além de um meio de comunicação tradicional (com futuro e sinergias na internet) nos últimos 3-4 meses. Ou seja, fechou 5 investimentos desde maio. Mais do que fechei nos últimos dois anos em poucos meses.
Só comentei e anunciei um desses investimentos (2B Blackbio) já que os fundadores o comunicaram em nota à imprensa. O resto, alguns contratos já assinados e outros ainda não, se acabarão de fechar estas semanas, mas já foram conversadas.
Durante esses dois anos vi muitos projetos que gostei e alguns me alimentaram alguma ilusão e em ocasiões tive a oportunidade de participar deles, mas me senti algo pressionado e não o fiz. Enquanto eu acreditava que tudo pouco a pouco melhorava, que a crise fazia um gráfico de U e sairíamos rápido. Da mesma forma que tomei precauções rapidamente quando temi vir, achei lógico que com os primeiros raios de sol me apressasse a apostar por projetos que além de fazerem muito sentidos, me agradam.
Achei que era hora de abrir a torneira. E digo por que nas ultimas semanas os números macro, os dados que vamos conhecendo, a situação das empresas, o feeling das pessoas próximas, a evolução das minhas próprias companhias e participantes, assim como a percepção pessoal é que foi uma breve miragem, uma pequena luz no fim do túnel, mas na verdade seguimos no buraco. Não acredito que as coisas piorem, mas quando parecia que a tendência se desenhava para cima, parece que voltamos a perder o impulso que ganhávamos.
Agora mesmo, de novo, me esfriei, é possível que seja somente temporal para pegar impulso, de novo sinto que devo diminuir o ritmo de investimentos e não expor o risco econômico nos próximos meses. Vivemos a base de sensações, sensações que estão a flor da pele já que tudo parece uma montanha russa. Minha sensação é de como se tivesse terminado uma festa de fim de semana e nos tivesses ficado com uma enorme ressaca, com a cabeça dando voltas, assumindo que voltamos à triste realidade pensando “merda, era em L”.
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