Alejandro Suarez Sánchez-Ocaña, empresário do Setor de Tecnologia desde 1998, CEO do Grupo Publispain e da Rede de Blogs Lazer y Ocio Networks SL, presidente da Inversora Foley, conselheiro e fundador da Yes.fm, assessor e inversor de várias companhias de inovação, novas tecnologias e Internet.
Carta aberta a Aurélio Martinez, presidente do Instituto de Crédito Oficial (ICO)
Segui durante vários dias a evolução e os comentários de um oportuno post de Eneko Knorr sobre os créditos ICO e escutei com atenção muitos comentários nesse e em outros posts, assim como em reuniões e almoços sobre o papel do ICO que não incentiva a economia real.
É uma pena – pensei- que o pessoal do ICO, possivelmente não lê blogs ao não estarem escritos sobre papel com fundo salmão e não lhes chegue um feedback tão valioso como o desse post, sobre seu escritório, até a reunião de banqueiros, ou em seu tempo livre ao yate ou ao clube de golf. É por isso que esta manha, que estou especialmente ácido, e de mau humor, redigi e enviei por mensageiro esta carta ao presidente do ICO. A reproduzo aqui:
Carta aberta a Aurélio Martinez, presidente do Instituto de Crédito Oficial (ICO)
Atenção de Don Aurélio Martinez
INSTITUTO DE CRÉDITO OFICIAL
Paseo Del Prado, 4 – 28014 Madrid
Madrid, a 18 de fevereiro 2009
Meu querido Aurélio:
Li nas ultimas semanas declarações surpreendentemente triunfalistas sobre a linha ICO – Liquidez, dotada com 100.000 milhões de Euros e que teoricamente ajudaria a milhares de medianos e pequenos empresários, assim como autônomos, os problemas de liquidez nesses tempos duros. Durante uns minutos você foi meu herói.
Como sabes, milhares de empresas viáveis estão literalmente fechando suas portas por problemas de liquidez; os não pagos, os atrasos em fazer efetivos abonos já concertados, e a queda do consumo geraram uma crise de circulante, na qual entendo que pensava quando criou ICO-Liquidez dotada com esse jorro de milhões.
Assisti algo perplexo à evolução em meu entorno, de empresários e empreendedores sobre vossa atuação. Em primeiro lugar se gerou expectativa e certo alivio diante de uma situação que parecia que o ICO poderia entrar na economia real e deixar de ser um lamentável instrumento político para financiar amiguinhos e operações político-financeiras, como quando o ICO vergonhosamente financiaram em 2006 com 350 milhões de euros a compra de ações da Repsol por parte de Sacyr, além do que aceitaram participar com o papel de protagonista no multimilionário empréstimo sindicado da operação.
Imagino que esta nova linha tenha servido para que tire a foto “injetamos 100.000 milhões”, para que tenha recebido algum tapinha e é possível que inclusive tenha dado a si mesmo uma boa homenagem num restaurante com algum conselheiro de uns dos principais bancos. De fato não me cabe nenhuma dúvida de que em certos setores da rua, a percepção foi que havia sido feito algo. Parece incrível que 100.000 milhões de euros; maravilhoso, redondo, sensacional, mas acredito que você como eu sabemos que é um bluff.
Hei de dizer que pouco a pouco essas expectativas de gente empreendedora e de empresários se foram frustrando. Tenho a sorte ou o mérito (sim, possivelmente será o primeiro) de que não necessitei nunca a ICO, nem sequer seu financiamento bancário para minha atividade empresarial, e vendo como atuam devo te dizer que espero seguir assim por muitos anos. Ainda assim nessa ocasião liguei para o meu banco habitual, La Caixa, para me informar, já que parecia interessante essa liquidez extra principalmente por uma certa tranqüilidade mental.
No meu banco, me explicaram que sua contribuição é mais do mesmo. Não colabora nada mais que um pequeno diferencial nos interesses da operação, mas os bancos seguem pedindo as mesmas garantias desproporcionadas (avais de propriedades taxadas com 30-40% do valor que adquiriram nessas mesmas entidades, nominas, garantis pessoais) que foram o motivo dessa mudança de ciclo econômico e que nos levaram esse ponto de fechamento de fato do crédito; não é que não haja dinheiro, sim há, mas para poucos, e curiosamente não são os que necessitam.
Talvez o feito de não necessitá-lo unido a que se algum dia chegara a necessitar financiamento, a solidez e patrimônio de minhas companhias me fazem um cliente preferencial e não deveria ter problemas, me fazem perder essa manha – sim, reconheço, talvez tenha levantado de mau-humor – o tempo te escrevendo.
O motivo dessas linhas não é mais que te recordar que não esta cumprindo com seu papel, isso é mera propaganda pseudo – política e se limitam a uma foto; não estão dinamizando a industria nem a empresa, não estão apoiando a gente jovem nem a empresas solidas com problemas de liquidez que estão num momento duro porque lhes é negado financiamento. As pessoas 100% solventes as quais se oferece e se empresta esse dinheiro é possivelmente que menos necessita, e economizar algo de dinheiro dos interesses graças ao ICO, que é o único valor que aportam sobre o financiamento habitual, não e nem sequer relevante a certos níveis nem atalha o momento de milhares de pessoas nesses momentos.
Gostaria de te animar a reconsiderar a quem devem apoiar, que é precisamente a essa gente empreendedora, pequenos empresários e autônomos aos que o banco lhes fechou a torneira, precisamente as pessoas as quais não estão chegando.
Espero que baixem a poeira e vejam o que há na rua e me permito enviar um pequeno obsequio à altura e como homenagem a labor que estão desempenhando nesses momentos duros nos que a sociedade necessita.
É possível que depois destas linhas não joguemos ao golf nenhum dia juntos, nem tenhamos a grata oportunidade de almoçar, mas também é possível e inclusive seria útil e muito necessário para muita gente, que movesse um pouco sua consciência e da sua equipe, que requeira uma breve reflexão e que possam estudar como fazer chegar esses números tão grandiosos (100.000 milhões de Euros, maravilhoso, redondo, sensacional) às pessoas, que de verdade o necessitam.
Receba um forte e carinhoso abraço,

Alejandro Suarez Sanchez-Ocaña
Empreendedor, Empresário e espanhol muito queimado
DNI: XXXX
E anexo uma bonita caixinha dourada, que inclui um presente à altura da labor do ICO nessa crise com os empresários e empreendedores: uma bosta, um detrito, uma evacuação, desfeito orgânico ou defecado, ou seja merda com todas as letras (isso sim, de plástico
)

Quem sabe até cabe na estante cheia de prêmios e reconhecimentos de tão brilhante instituição. Claro, quando pedi que saíssem a comprá-la no escritório e que a envolvessem carinhosamente em uma caixa de plástico, anexando a carta e que a buscasse MRW á boa Constanza, a pobre literalmente ficou passada.
Porque faço essa palhaçada?
Sei que é raiva, um brinde ao sol, é em definitiva o recurso do esperneio. Uma maneira de chamar a atenção do personagem e de seus colaboradores, de me queixar e de que lhes apitem nos ouvidos, de protestar e chamar a atenção sobre uma situação injusta e grave na que partindo da falsa premissa que “não há dinheiro” se poe mais dinheiro ao mercado, mas a disposição dos que tem patrimônio de sobra e não o necessitam, não a disposição das pessoas que estão passando dificuldades, as quais os bancos estão pondo a listona do acesso ao financiamento muito alto.
O problema não e que não há dinheiro; é que não há dinheiro para você, para jovens, hipotecados, para esses empreendedores e pequenas empresas e autônomos, muitos deles já endividados ou tentando criar seu primeiro projeto, que são os que necessitam de verdade. É possível que no ICO sejam impermeáveis desde seu escritório com vistas ao Paseo Del Prado a esse tipo de queixas, mas creio que se lembrarão do que lhes disse aquele idiota que se levantou uma manha e lhes envio uma bonita bosta, um detrito, uma evacuação, um desfeito orgânico ou defecado, uma merda com todas letras (isso sim, de plástico
)
Bom, pelinhos ao mar e a seguir trabalhando que o dia requer.
Tags: Aurelio Martinez, crise, Empreendedores, empresarios, Governo, ICO, ZP
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